Brasil: simpatizantes de Bolsonaro protestan en las calles contra el Congreso pese a la pandemia del coronavirus

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Manifestações pró-Bolsonaro e anti-Congresso são mantidas em 259 cidades

Apoiadores de Jair Bolsonaro irão às ruas neste domingo (15.mar.2020) em pelo menos 255 cidades brasileiras e 4 no exterior, de acordo com informações do portal Uol. Os manifestantes desconsideram o pedido do presidente, na última 5ª feira (12.mar), para que as manifestações fossem adiadas.

No mesmo dia, a hastag #DesculpaJairMasEuVou ficou em 1º lugar nos assuntos mais comentados do Twitter. Até as 08h15 deste domingo, #BolsonaroDay tinha 119 mil menções no Twitter e ocupava a 1ª posição no ranking brasileiro.

Segundo o presidente, os atos são “legítimos”, mas deveriam ser repensados para evitar a propagação da covid-19 –doença provocada pelo novo coronavírus.

Os governos de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo já suspenderam eventos públicos devido à pandemia. Militantes de algumas cidades adaptaram as manifestações em razão do risco de dispersão de covid-19 em aglomerações.

Em Brasília, por exemplo, os manifestantes optaram por fazer uma carreata que sairá da região central e percorrerá a Asa Norte e a Asa Sul.

Mais detalhes na galeria preparada pelo Poder360:

CONTEXTO

O posicionamento do Planalto pró-manifestações se tornou público a partir de declarações do ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional). Durante uma transmissão ao vivo pelas redes sociais, vazou uma declaração do ministro de que o Congresso “chantageava” o Executivo.

Diferentes autoridades criticaram o posicionamento de Heleno. As declarações do ministro, no entanto, ganharam respaldo nas redes sociais, entre apoiadores do presidente. Depois, Bolsonaro usou seu WhatsApp pessoal para divulgar vídeo que conclamava a população para os protestos.

Bolsonaro pela 1ª vez se posicionou publicamente a favor dos atos no último dia 7, ressalvando que não se trata de 1 ataque aos demais Poderes da República. As manifestações têm uma pauta anti-Congresso, mas ele disse que “quem diz que é 1 movimento impopular contra a democracia está mentindo e tem medo de encarar o povo brasileiro”.

Poder360


Mesmo após cancelamento, bolsonaristas falam em manter atos pró-governo

Por Gustavo Uribe
Carolina Linhares

O cancelamento dos atos pelo país a favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por causa da pandemia de coronavírus não acalmou os ânimos de sua militância bolsonarista.

Mesmo com o pedido do presidente para que as manifestações sejam adiadas, apoiadores têm insistido em promover protestos neste domingo (15) e iniciaram um movimento nas redes sociais: #DesculpeJairMasEuVou.

Apesar de terem divulgado o adiamento das manifestações, os movimentos organizadores afirmam não ter controle sobre as ruas e alegam que fizeram sua parte. Desde o recuo, na noite de quinta (12), os grupos de direita estão sendo atacados e chamados de covardes nas redes sociais.

O cancelamento ocorreu após o presidente ter desencorajado os protestos em sua live semanal e em pronunciamento em cadeia nacional na noite de quinta.

Nos bastidores, os grupos esperavam o gesto de Bolsonaro para não terem que cancelar por contra própria e serem enquadrados como traidores.

O envolvimento de Bolsonaro também foi visto como necessário porque o próprio presidente convocou a população aos protestos.

Primeiro, ele compartilhou um vídeo pelo WhatsApp com um grupo de amigos e, posteriormente, de forma pública em discurso em Boa Vista (RR). A conta da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) da Presidência da República também chegou a divulgar um chamado para a manifestação.

Como alguns organizadores defendiam bandeiras contra o Legislativo e o Judiciário, a convocação de Bolsonaro acirrou a crise pelo controle de um montante de R$ 30,8 bilhões do orçamento impositivo.

Em meio ao desgaste, o Congresso impôs uma derrota ao Planalto e derrubou na quarta (11) um veto de Bolsonaro à ampliação do BPC (benefício assistencial a idosos carentes e deficientes), o que tem impacto de R$ 20 bilhões ao ano.

A retaliação legislativa gerou ainda mais insatisfação entre os bolsonaristas. Para eles, mesmo com o perigo de contágio pelo coronavírus, é necessário um protesto para demonstrar descontentamento público.

O ambiente de conflagração é mais um elemento em um contexto de instabilidade devido à escalada do coronavírus e à redução da previsão de crescimento da atividade econômica para este ano.

Ao pedir o cancelamento dos protestos, Bolsonaro também manteve o tom de crítica ao Legislativo. O presidente afirmou que, mesmo sem ser concretizada, a mobilização já provocou um “tremendo recado” ao Congresso.

No pronunciamento horas depois, Bolsonaro defendeu o presidencialismo. Disse os atos são “espontâneos e legítimos”, “atendem aos interesses da nação” e “demonstram o amadurecimento da nossa democracia presidencialista”.

A estratégia do presidente era tentar explorar a força dos protestos para demonstrar publicamente que ainda conta com apoio popular, mesmo diante de uma alta histórica do dólar e um desempenho fraco do PIB (Produto Interno Bruto) no ano passado.

Segundo assessores presidenciais, o monitoramento digital do Palácio do Planalto constatou que os dois temas têm promovido uma desmobilização entre seguidores de direita do presidente.

Ao longos das duas últimas semanas, na tentativa de retomar apoio nas redes sociais, o presidente tentou criar novas polêmicas.

Ele criticou a Rede Globo por reportagem do Fantástico sobre presidiárias transsexuais e colocou em dúvida o sistema eleitoral brasileiro.

Segundo o analista Pedro Bruzzi, sócio da empresa de dados Arquimedes, as duas estratégias não tiveram êxito diante da questão econômica.

“Ele apresentou dificuldades nas redes sociais e as estratégias de mudar o foco falharam”, avaliou.

Ao longo da quinta-feira, o presidente conversou com deputados bolsonaristas sobre a possibilidade de solicitar o adiamento das manifestações.

Um dos argumentos apresentados foi o risco de ocorrerem protestos esvaziados por causa do receio de contágio da doença.

O pedido, no entanto, tem sido ignorado por alguns apoiadores, o que gerou preocupação entre assessores presidenciais.

A avaliação é de que manifestações com pouco público podem ter o efeito oposto ao pretendido inicialmente: o de aumentar o desgaste na imagem do governo.

Folha


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