Brasil | Colapso sanitario en Manaos: récord de internaciones y bebés prematuros en riesgo por falta de tubos de oxígeno

Foto: Bruno Kelly / Reuters
1.414

Bolsonaro se desliga del colapso sanitario en Manaos: “hicimos nuestra parte”

Jair Bolsonaro se desligó de la crisis humanitaria en la ciudad de Manaos, capital del estado de Amazonas, donde el sistema sanitario está completamente desbordado y los pacientes con Covid-19 mueren por falta de oxígeno en los hospitales.

Manaos es el epicentro de la segunda ola de coronavirus en Brasil y los contagios se han disparado exponencialmente aparentemente por el surgimiento de una nueva cepa de la enfermedad. Por falta de tubos de oxígeno, este jueves más de 750 pacientes fueron trasladados hacia otros estados en aviones militares y el gobernador tuvo que declarar un toque de queda de 11 horas diarias en toda la ciudad.

“Siempre hacemos lo que tenemos que hacer, ¿no? El problema en Manaos…es terrible el problema ahí. Ahora, nosotros hicimos nuestra parte, con recursos”, afirmó Bolsonaro a seguidores. El presidente de Brasil defendió la presencia del ministro de Salud, Eduardo Pazuello, en Manaos para la apertura de un hospital de campaña y promover una aplicación para que los médicos receten hidroxicloroquina.

“Si no quieren tomar, no tomen. Los 200 que se contagiaron en la casa de Gobierno tomaron prematuramente y ninguno fue al hospital. Es como la vacuna, sería irresponsable que sea obligatoria si es autorizada en uso de emergencia”, dijo Bolsonaro del antipalúdico, desaconsejado para el coronavirus por la Organización Mundial de la Salud.

La situación en Manaos es dramática, donde además del caos en los hospitales también estan completamente desbordados los cementerios y faltan cámaras frigoríficas para mantener los cadáveres. El gobernador Wilson Lima decretó toque de queda entre las 19 y las 6 en la ciudad.

El exalcalde de Manaos Arthur Virgilio Neto denunció que 28 personas murieron por falta de oxígeno en los hospitales de la capital del estado más grande de Brasil, y pidió el juicio político de Lima, del Partido Social Cristiano, fuerza de la base bolsonarista en el Congreso.

“Hay relatos de que un ala entera de pacientes ha muerto por no tener tubos de aire. Además de las muertes, el peligro de generar problemas cerebrales permanentes es alto”, dijo al diario Folha de Sao Paulo el científico del laboratorio federal Fiocruz Amazonia, Jesem Orellana.

La Fiscalía de Manaos acusó al Gobierno federal de ser el responsable último en proveer tubos de oxígeno ya que posee los aviones militares para llevarlos desde otros estados. Las Fuerzas Armadas enviaron 356 cilindros de oxígeno en la noche del jueves, pero la logística no alcanzó a suplir la situación de emergencia.

Por otro lado, el secretario de Salud de Amazonas, Marcellus Campelo, alertó sobre la posible necesidad de transferir a 60 bebés prematuros que podrían morir a raíz de la falta de oxígeno en los hospitales.

El gobernador de San Pablo, Joao Doria, acusó de irresponsable al Gobierno de Bolsonaro y dijo que en su estado hay capacidad para recibir a los 60 bebés prematuros que necesitan cuidados de complejidad médica.

La Política Online


‘Terrível, o problema em Manaus. Agora, nós fizemos nossa parte’, diz Bolsonaro sobre crise na saúde

O presidente Jair Bolsonaro disse a apoiadores nesta sexta-feira (15), ao comentar a crise da saúde pública no Amazonas, que o governo federal fez a sua parte para ajudar o estado.

O sistema de saúde de Manaus entrou em colapso nos últimos dias com a disparada dos casos de Covid-19. As internações e os enterros bateram recordes, os hospitais ficaram sem oxigênio e pacientes estão sendo enviados para outros estados.

“Problemas. A gente está sempre fazendo o que tem que fazer. Problema em Manaus. Terrível, o problema em Manaus. Agora, agora, nós fizemos a nossa parte. Recursos, meios. Hoje, as Forças Armadas ‘deslocou’ para lá um hospital de campanha. O ministro da Saúde esteve lá segunda-feira e providenciou oxigênio”, afirmou o presidente na saída da residência oficial do Palácio da Alvorada.

Segundo o Ministério da Defesa, as Forças Armadas vão transportar até esta quinta-feira (14) 50 toneladas de equipamentos e materiais para a montagem de hospital de campanha em Manaus. Entre os itens estão barracas, equipamentos de ar-condicionado, geradores de energia, móveis e equipamentos hospitalares.

O G1 entrou em contato com a Defesa para saber se os itens já chegaram a Manaus e aguardava uma resposta até a última atualização desta reportagem.

Na fala aos apoiadores, Bolsonaro ainda voltou a defender tratamento com remédios cuja eficácia não é confirmada pela comunidade científica.

Mourão

A jornalistas, na chegada ao Palácio do Planalto, o vice-presidente Hamilton Mourão também comentou a situação no Amazonas.

Ele disse que governo está fazendo “além do que pode”. Questionado sobre medidas como lockdown, Mourão afirmou que a “imposição de disciplina” não funciona no Brasil.

“O governo está fazendo além do que pode dentro dos meios que a gente dispõe”, disse Mourão.

Questionado se não faltou planejamento logístico, o vice-presidente declarou que não se era possível prever o colapso no sistema de saúde em Manaus. Ele citou o surgimento de uma nova cepa do vírus.

“Você não tem como prever o que ia acontecer com essa cepa que está ocorrendo em Manaus, totalmente diferente do que tinha acontecido no primeiro semestre”, argumentou.

Para o presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM), Sandro André, essa era uma “tragédia anunciada”.

“Infelizmente, nós estamos vivendo uma tragédia anunciada. O sistema Cofim/Coren, desde o início, nós sinalizamos que poderia acontecer essa crise, esse caos. Infelizmente, nós estamos vivendo e vivenciando números nunca antes visto no nosso país, e a segunda onda está muito mais devastadora do que a primeira”, afirmou.

G1


Amazonas tem explosão de novos casos de Covid-19 nesta quinta-feira: 3.816

O Estado do Amazonas teve uma explosão de novos casos confirmados de Covid-19 nesta quinta-feira, 14, no momento em que começa a faltar oxigênio medicinal para pacientes internados nos hospitais púbicos e privados da capital Manaus.

De acordo com o Boletim Diário de Covid-19, foram diagnosticados 3.816 pessoas nas últimas 24 horas, elevando para 223.360 o número de casos desde o início da pandemia, em março de 2020.

O número de internações também bate um novo recorde nesta quinta-feira. Foram 258 hospitalizações no Estado, sendo 254 em hospitais de Manaus.

Com unidades lotadas e falta de insumos, como oxigênio, os hospitais particulares já começam a fechar as portas para novos pacientes. Nesta quinta, o Hospital Adventista de Manaus anunciou a suspensão do atendimento de urgência e emergência no setor de pronto-atendimento por tempo indeterminado, a partir das 18h.

O Hospital Universitário Getúlio Vargas, em Manaus, por falta de oxigênio, decidiu transferir 30 pacientes para o Hospital Universitário do Piauí, em Teresina.

O governador Wilson Lima decretou toque de recolher a partir desta quinta-feira, 14, de 19h às 6h. Policiais militares ocupam as ruas da capital para fazer cumprir a medida.

Mortes

Segundo o boletim, foram confirmados 51 óbitos por Covid-19, sendo 44 ocorridos no dia 13 e 7 óbitos foram encerrados por critérios clínicos, de imagem, clínico-epidemiológico ou laboratorial, ou seja, eram óbitos ocorridos antes de quarta-feira, 13, e que aguardavam confirmação por Covid-19. Agora, são 5.930 o total de mortes pela doença.

A Prefeitura de Manaus informou que na quarta-feira, 13, foram registrados 198 sepultamentos nos cemitérios da capital, sendo 87 de vítimas de de Covid-19.

Amazonas Atual


Sem oxigênio no Amazonas, 60 bebês prematuros são transferidos para outros estados

Diante da falta de oxigênio em Manaus devido ao aumento de internações em razão da pandemia do novo coronavírus, 60 bebês prematuros, internados em UTIs neonatais, vão ser transferidos em aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) para outros estados de maneira preventiva.

Na tarde desta sexta-feira (15), nove deles chegam ao aeroporto de Imperatriz, no Maranhão. A previsão é de que o avião com os bebês pouse às 17h30.

Eles serão levados em ambulâncias especializadas para um hospital da rede estadual. O presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula, disse que a situação é gravíssima.

“Estamos falando de bebês prematuros. São muito frágeis, muito instáveis. É uma ação preventiva. Diferente de pacientes adultos, eles morrem mais rapidamente se faltar o mínimo de oxigênio. E existe o risco de faltar”, declarou.

Ele explicou que as mães vão no mesmo voo. “Nove ambulâncias nossas estarão esperando no aeroporto. As mães vão acompanhando os bebês”, informou.

Carlos Lula declarou que o Ministério da Saúde fez contato com vários estados para dividir as vagas.

Os prematuros não estão infectados pelo coronavírus. “São bebês que necessitam ficar numa UTI neonatal para ganhar peso, ficar mais fortes e, só depois, deixar o hospital”, destacou.

A Folha apurou que o governo do Amazonas solicitou consultas junto a outros estados para saber quais deles teriam condições de receber a transferência de bebês internados em maternidades da rede estadual onde falta oxigênio.

No início da tarde, a SES-AM (Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas) confirmou a transferência de bebês para outros estados.

“A secretaria informa que os recém-nascidos serão transferidos a partir da autorização dos pais e serão acompanhados pelas mães. Técnicos da secretaria estão trabalhando no planejamento da logística de transferência e o quantitativo está sendo avaliado de acordo com as condições clínicas”, comunicou.

O Conass confirmou que o Ministério da Saúde entrou em contato com outros estados para executar a transferência.

Ainda não há informações oficiais sobre em quais unidades estão esses bebês, mas profissionais de saúde relatam que a maternidade Ana Braga, na zona leste da cidade, que é a maior do estado, está entre as unidades mais sobrecarregadas e pode ser uma das primeiras a sofrer com a escassez de oxigênio.

Manaus possui oito maternidades públicas. Sete delas fazem parte da rede estadual. Na única maternidade municipal, a Moura Tapajós, na zona oeste da capital amazonense, o estoque de oxigênio é suficiente para manter os serviços em funcionamento “por mais algum tempo”, garantiu o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).

“Nas unidades do município nós temos oxigênio para manter os serviços do Samu, da nossa maternidade e do nosso abrigo de idosos, que muito necessitam. Temos mais algum tempo de oxigênio.”

A escassez de oxigênio, agora para bebês, não é uma realidade de todas as maternidades estaduais, no entanto.

Uma enfermeira que trabalha na maternidade Balbina Mestrinho, na zona sul da cidade, contou que eles não ainda não estão enfrentando este problema na unidade.

Ela relata que a unidade de saúde está lotada “como sempre”, mas que ainda não falta oxigênio para os pacientes internados. O estoque, no entanto, não poderia suprir a falta em outras maternidades, diz a profissional de saúde. “O que temos é para os [pacientes] que temos. A gente não está esbanjando”, declarou.

Um dos bebês que devem ser transferidos tem nove dias de vida e já havia viajado quase 200 km do município de Itacoatiara, no interior do estado, até Manaus. Ele teve uma síndrome decorrente de sofrimento fetal, que teve como consequência pneumonia e sepse (infecção generalizada) e é o único recém-nascido que precisa de oxigênio na maternidade municipal Doutor Moura Tapajóz.

Funcionários da unidade receberam um recado da coordenadoria, vindo da Secretaria Municipal de Saúde, dizendo que deveriam ser reunidos os dados de todos os bebês ali com necessidade de oxigênio para que eles fossem transferidos. A mensagem não dizia o motivo.

Folha de Sao Paulo


‘Foi uma cena do Titanic, cada um pegando cilindro de oxigênio e escolhendo quem salvar’

“Foi uma cena do Titanic, cada um pegando o seu salva-vidas, que era o cilindro de oxigênio e tentando salvar. Todo mundo correndo de um lado pra outro, pegando cilindro pequeno, conectando no ventilador. E os cilindros pequenos não davam para todos os leitos, tivemos que escolher em quem colocar, ou seja, pacientes que tinham o melhor prognóstico de sair da crise da Covid, o paciente mais jovem. Tivemos que escolher quem salvar”.

O relato é de um integrante da equipe médica do Hospital Universitário Getúlio Vargas, um dos principais da rede pública de Manaus. O profissional, que preferiu não se identificar por temer represálias, não conteve as lágrimas ao narrar para CartaCapital o momento em que faltou oxigênio aos pacientes internados na UTI do hospital, na quinta-feira 14.

“Os pacientes foram parando, e a gente não tinha o que fazer. Não podíamos reanimar, porque não havia oxigênio”.

Para uma doença como a Covid-19, que compromete o funcionamento dos pulmões, a circulação artificial de oxigênio é mais importante que qualquer remédio. “É muito difícil, você enquanto profissional, especialista na área, fica de mãos atadas, porque não tinha a condição, o oxigênio”.

Diante a escassez, a equipe médica se uniu para tentar evitar mais mortes. “A gente decidiu pronar todo mundo. Pronar é colocar o paciente de barriga para baixo para tentar ventilar a região posterior. Como a gente estava sem oxigênio, a gente tinha que favorecer áreas de ventilação do pulmão”.

Muito emocionado, o profissional de saúde relembrou uma outra decisão difícil para todo o corpo médico. “Dentro da UTI também haviam pessoas que não estavam intubadas, mas usavam máscaras. Tivemos que salvar os pacientes que não estavam sedados”.

“Optamos por [salvar] quem estava lúcido, porque quem estava sedado não ia sofrer. E assim a gente fez”

Pela manhã, narra, a equipe médica viu morrer sete pacientes. “O nosso estado é de desespero. E tudo que está acontecendo é real, não tem nada aumentado, é pânico mesmo, de todos os profissionais olharem um pra cara do outro e falar, eu tenho capacidade, diploma, pós graduação, residência, doutorado, eu sei o que estou fazendo, mas não tenho o que eu preciso, que é o oxigênio”.

A escassez também atinge outras cidades do Amazonas. Em outro relato a CartaCapital, o médico Robson Siqueira detalha a situação no município de Itacoatiara-AM, a 270 quilômetros de Manaus.

Fornecedor diz que vai importar oxigênio da Venezuela

A White Martins, empresa que fornece oxigênio para Manaus, informou que importará o insumo da Venezuela, após ter identificado a disponibilidade do material em suas operações no no país vizinhos.

Segundo a empresa, a demanda por oxigênio em Manaus cresceu cinco vezes nos últimos quinze dias. O aumento do consumo saltou para 70 mil metros cúbicos por dia – quase o triplo da capacidade diária de produção da unidade local, de 25 metros cúbicos. Segundo a companhia, o consumo “segue crescendo fora de controle e qualquer previsibilidade”.

Antes da pandemia, a empresa diz que sua unidade local operava com 50% de sua capacidade, e isso era suficiente para atender os clientes, porque o consumo oscilava entre 10 mil e 15 mil metros cúbicos por dia. Entre abril e maio de 2020, na primeira onda da pandemia, a demanda alcançou pico de 30 mil metros cúbicos.

No cenário atual “sem precedentes”, a White Martins diz ter ampliado sua capacidade de produção para 28 mil metros cúbicos diários e direcionado todos os insumos para o setor medicinal. A empresa também tenta levar oxigênio de fábricas em outros estados, por meio de vias fluvial e aérea, e pôde contar ainda com a colaboração de quinhentos cilindros com suporte da Força Aérea Brasileira.

A empresa afirma ter enviado comunicados às autoridades sobre a “alta complexidade do fornecimento de oxigênio medicinal para Manaus” e solicitou apoio diante de um “cenário extremamente desafiador”, como a mobilização de órgãos competentes e de outras empresas.

Carta Capital


Doria diz que Brasil vive genocídio e adere ao Fora Bolsonaro

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), não mediu palavras durante a coletiva de imprensa desta sexta-feira (15) no Palácio dos Bandeirantes, falando em genocídio por parte do governo federal, criticando a postura negacionista das autoridades e pedindo à sociedade civil uma reação contundente contra Bolsonaro.

“Li uma manifestação do presidente Jair Bolsonaro dizendo ‘fiz tudo o que estava ao meu alcance, o problema agora é do estado do Amazonas e da Prefeitura de Manaus’. Inacreditável. Inacreditável. Em outro país isso talvez fosse classificado como genocídio. É um abandono aos brasileiros”, disse, em referência à falta de cilindros de oxigênio para pacientes com Covid-19 em estado grave no Amazonas.

“O negacionismo dominando o país no governo federal. Um mar de fracasso, colocando como vítimas milhares de brasileiros que perderam a sua vida e outros milhares que podem perder. Está na hora de termos uma reação a isso. Da sociedade civil, dos brasileiros, da população do Brasil, da imprensa, do Congresso Nacional de quem puder ajudar. Ou vamos assistir a isso? Ou vamos assistir a isso por meses e achar que é isso normal, que faz parte e que a ideologia do negacionismo é aceitável?”, completou.

Doria ainda ofereceu assistência à capital manauara. 40 respiradores produzidos pela Universidade de São Paulo (USP) serão enviados à Secretaria de Saúde do Amazonas, e leitos serão oferecidos para os bebês prematuros que poderão ter seu oxigênio cortado.

Brasil 247


VOLVER

Más notas sobre el tema