Brasil vivió el fin de semana más letal y cada vez más jóvenes mueren por Covid-19

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En un cambio alarmante, cada vez más jóvenes mueren por Covid en Brasil

Por Martha Viotti Beck, Julia Leite y Caroline Aragaki

En el peor período de la pandemia, con registros diarios de contagios y muertes, Brasil se enfrenta a un nuevo hecho desalentador: el número creciente de muertes entre los jóvenes.

En lo que va de este mes, según datos del Gobierno, alrededor de 2.030 brasileños de entre 30 y 39 años han muerto a causa de covid, más del doble de la cifra registrada en enero. Entre los que tienen 40 años, ha habido 4.150 muertes en marzo, frente a las 1.823 en enero, y entre los de 20 y 29 años, las muertes aumentaron de 242 a 505.

“Antes, el factor de riesgo de morir por covid-19 era ser mayor, tener algo de comorbilidad”, dijo Domingos Alves, profesor de medicina que forma parte del grupo de monitoreo nacional. “Ahora, el riesgo es ser brasileño”.

El viernes, Fiocruz, una organización de salud sin fines de lucro, emitió un informe que muestra la misma tendencia con números ligeramente diferentes.

El informe dice que los casos entre las personas de 30 a 59 años aumentaron desde principios de año hasta mediados de marzo a un ritmo casi doble del promedio nacional de 316%. En esos grupos de edad, las muertes aumentaron al menos un 317%, en comparación con 223% de Brasil en conjunto.

En Sao Paulo, el estado más rico y poblado del país, el aumento es especialmente prominente en los hospitales privados, dijo en una entrevista el secretario de Salud del estado, Jean Gorinchteyn. Los de 60 años o más continúan dominando las admisiones hospitalarias, pero la proporción de los menores de 50 años ha aumentado 15% desde el 10% del año pasado.

En la capital del estado, cada vez se infectan más personas de entre 20 y 54 años, dijo el viernes a GloboNews TV el secretario de Salud de la ciudad, Edson Aparecido. Los pacientes más jóvenes esperan más tiempo para buscar atención médica, es por eso que llegan más enfermos.

La explicación de la creciente tasa de infección entre los jóvenes, en un país que es mayoritariamente joven, sigue sin estar clara, aunque funcionarios y expertos médicos sugieren varias posibilidades. Primero, a lo largo de 2020, las restricciones locales y regionales obstaculizaron la socialización. Eso cambió con las vacaciones, el año nuevo y el relajamiento del confinamiento.

En segundo lugar, una variante detectada por primera vez en la ciudad amazónica de Manaos es probablemente en parte culpable, según Jaques Sztajnbok, quien ayuda a dirigir la unidad de cuidados intensivos en el hospital Emílio Ribas, una de las principales instalaciones de Brasil para enfermedades infecciosas. Los pacientes se enferman en gran medida con esa variante o con la del Reino Unido, que también es más contagiosa. Un estudio realizado en Sao Paulo encontró una de las dos variantes en 71% de los casos.

En tercer lugar, las vacunas son limitadas en Brasil y no hay una fecha definida para vacunar a los más jóvenes.

Fernando Brum, director del hospital Santa Casa de Sorocaba, dijo que la mutación del virus a una versión mucho más contagiosa con una carga viral que enferma a las personas de una manera más rápida y agresiva ha hecho que los jóvenes hayan pasado de casos mayoritariamente asintomáticos a ser gravemente afectados.

Brum, cuyo hospital está a dos horas en auto de Sao Paulo, dice que las UCI también se encuentran repletas de personas de 30 años. Estima que la edad de los pacientes hospitalizados con covid-19 ha disminuido en un 50% en comparación con 2020.

“La unidad de cuidados intensivos está ocupada constante e ininterrumpidamente”, dijo. Los pacientes de 30 años ocupan al menos la mitad de esas camas, y el tiempo promedio que pasan en el hospital se ha triplicado con respecto al año pasado. Ha bajado recientemente por una triste razón: los pacientes mueren más rápido.

Brasil se ha convertido en el epicentro de la pandemia, reportando recientemente registros de más de 100.000 casos y 3.650 muertes al día. Hogar de 212 millones de personas, el país solo está detrás de EE.UU. en número de víctimas del virus. Si bien las vacunas han comenzado a aplicarse en la última semana, las 19 millones de dosis desplegadas hasta ahora solo han cubierto 7% de la población con una dosis y han vacunado completamente a solo un 2%.

Perfil


Brasil tem fim de semana mais letal da pandemia: 5 mil mortos e 130 mil novos casos

O descontrole da covid no Brasil deixa o trágico saldo de 5.094 óbitos novos casos notificados ao Conselho Nacional de Secretários de Saúde, o Conass, neste fim de semana, somadas as ocorrências de ontem (27) e hoje. Foram 3.438 mortos no sábado – o terceiro dia em que a marca de 3 mil mortes foi ultrapassada desde o início da pandemia do novo coronavírus, em março do ano passado e todos ocorreram nessa semana. Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou mais 1.656 vítimas, no domingo mais letal do histórico da covid no país. Um mês atrás, nos dias 27 e 28 de fevereiro, também um fim de semana, foram 1.386 mortos no sábado e 721, no domingo (2.107 no total).

Além de registrar a morte de 106 brasileiros por hora em média, o Conass também recebeu 130.274 notificações de novos casos de covid no Brasil durante o fim de semana. Destes, 85.948 no sábado e outros 44.326 hoje. Segundo o órgão, com os registros de ontem, o país encerrou a semana epidemiológica de maior número de casos – em números oficiais – de toda a pandemia, com 539.903 notificações em sete dias. Também foi a terceira semana consecutiva com mais de meio milhão de casos registrados. Até o fechamento desta matéria, o Conass ainda não havia atualizado os dados da semana epidemiológica encerrada ontem em relação ao total de óbitos. Mas o certo é que foi igualmente a pior também neste quesito.

No total, 312.206 pessoas já foram mortas pela infecção, de um total acumulado de 12.534.688 infectados pelo vírus desde março de 2020.

Perfil muda

Diferentemente do que ocorreu na chamada primeira onda da pandemia de covid no Brasil, a atual escalada de casos e vítimas está impactando mais faixas etárias mais jovens. É o que aponta um levantamento do projeto “UTIs brasileiras”, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), divulgado ontem pela Folha de S.Paulo.

Segundo a Amib, o percentual de pessoas de até 45 anos em 1.593 UTIs públicas e privadas do país aumentou 193% entre fevereiro e março de 2021, se comparado ao período de setembro a novembro de 2020, considerado de relativa tranquilidade na demanda por esse tipo de atendimento, após o pior momento da primeira onda. Os dados da Amib são similares aos da mais recente edição do Boletim Observatório Fiocruz Covid-19, divulgado nesta sexta (26) e que também aponta o crescimento de infectados e vítimas da infecção entre a população de menos idade.

À reportagem da Folha de S.Paulo, o pesquisador em saúde pública da Fiocruz Raphael Guimarães afirmou ainda não haver evidências de que os quadros mais severos entre os mais novos tenham relação com alguma variante mais agressiva do novo coronavírus. Estudos estão em andamento para comprovar ou não a hipótese. Contudo, o estudioso afirma que já se pode associar “o adoecimento de número cada vez maior de jovens, independentemente da gravidade, à baixa adesão ao distanciamento. A verdade é que as pessoas não querem acreditar no mau comportamento dos grupos.”

Rede Brasil Atual


Ministério da Saúde desviou cloroquina para Covid e deixou programa de malária sem estoque

Por Julinho Bittencourt

Dois milhões entre três milhões de comprimidos de cloroquina fabricados pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) para o combate à malária foram desviados pelo ministério da Saúde para o tratamento da Covid-19. O fato acabou deixando descoberto o programa nacional de controle da malária, com risco de desabastecimento da droga para esses pacientes a partir deste mês de março.

Por conta disso, o ministério precisou, em caráter de urgência, garantir mais 750 mil comprimidos de cloroquina, por meio de aditivo a uma parceria firmada com a Fiocruz.

A Fiocruz entregou a cloroquina adicional em janeiro para não deixar o programa de malária sem a droga. O total é suficiente para quatro meses.

Toda a parceria –viabilizada por meio de um TED (termo de execução descentralizada), o de número 10/2020– foi bancada com dinheiro do SUS. Os gastos somaram R$ 258.750,00.

Uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) concluiu em janeiro que o uso de dinheiro do SUS na distribuição de cloroquina a pacientes com Covid-19 é ilegal.

O fornecimento pelo SUS de medicamentos para uso “off label” (fora do previsto na bula) só pode ocorrer se houver autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A Anvisa já confirmou que não concedeu essa autorização.

Por meio da Lei de Acesso à Informação, a Folha obteve uma cópia de todo o processo do TED 10/2020. Os documentos comprovam o desvio da cloroquina para pacientes com Covid-19.

Revista Forum


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