Argentina | Tras los insultos de Milei contra Lula, el Gobierno de Brasil convoca al embajador argentino para solicitar explicaciones
Crisis con Brasil: Lula llamó a consulta a su embajador tras los insultos de Milei
El gobierno de Brasil decidió este domingo convocar a consultas a su embajador en la Argentina, Julio Bitelli, según citaron medios brasileños. Se trata de una contundente reacción diplomática frente a los agravios que Javier Milei dirigió contra su par Luiz Inácio Lula da Silva durante el encuentro político realizado en San Pablo el sábado de apoyo a la candidatura de Flavio Bolsonaro en las elecciones presidenciales de octubre.
De acuerdo con fuentes diplomáticas de Brasil, Bitelli viajará de regreso a Brasilia «en las próximas horas» para analizar junto con las autoridades de la cancilerría brasileña el empeoramiento del vínculo entre los dos gobiernos. Esas mismas fuentes consideraron «inaudito» el mensaje que Milei brindó en la convención del Partido Liberal (PL).
La decisión se encuentra entre las acciones diplomáticas de mayor gravedad que un Estado puede tomar antes de llegar a una ruptura de relaciones y expresa una contundente señal política del gobierno de Lula da Silva hacia la gestión argentina.
Los insultos de Milei a Lula en San Pablo
La disputa se originó después de que Milei asistiera, el último sábado, a un encuentro del bolsonarismo en San Pablo. Se trató de su tercera visita a Brasil desde que llegó a la Presidencia, nuevamente sin concretar reuniones con funcionarios del gobierno brasileño.
A lo largo de una exposición de aproximadamente 25 minutos, el presidente argentino pronunció fuertes agravios contra Lula y lo calificó como «el zurdo», «el ladrón» y «el presidiario». Además, cuando se produjo una falla técnica sobre el escenario, ironizó al consultar si «los micrófonos los mandó a tocar el ladrón».
Asimismo, Milei responsabilizó al presidente brasileño de haber buscado intervenir en los comicios presidenciales de la Argentina celebrados en 2023. «Tenía un vecino que se metía en la política de Argentina para tratar de torcer la historia en favor de los zurdos de mierda», afirmó.
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Milei acusó a Lula de estar detrás de la «campaña antiargentina»
En este contexto, Milei acusó a Lula de estar detrás de la «campaña antiargentina» durante la actuación de la Selección en el Mundial 2026, al señalar un supuesto financiamiento del gobierno de Brasil.
«El que puso más plata en esta campaña anti-Argentina fue Brasil. El 25% de los recursos salió del gobierno de Brasil», dijo en una entrevista a Radio Mitre este domingo sin citar ninguna investigación.
Al respecto, el Presidente agregó: «Y después vienen a hablar de interferencia, cuando ellos jugaron un rol muy activo en la campaña del 2023, ¿o nos vamos a olvidar que los asesores de Massa eran un grupo de brasileños?».
«Yo quise ir a ver a mi amigo Jair Bolsonaro y no me dejaron. Acá, sin embargo, el ex presidiario vino a saludar a la rea”, cerro Milei en referencia a la visita de Lula da Silva a Cristina Kirchner en San José 1111 en julio de 2025.
Após falas de Milei, ministro deve se reunir nesta segunda com embaixador do Brasil na Argentina
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve se reunir nesta segunda-feira (27) com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, a prestar esclarecimentos sobre a relação entre os dois países. A medida ocorre após discurso do presidente argentino Javier Milei na convenção do PL, nesse sábado (25) (veja mais abaixo).
Neste domingo (26), o governo brasileiro decidiu chamar Bitelli para consultas em Brasília. O embaixador deve chegar em solo brasileiro na manhã desta segunda.
Além disso, o Itamaraty também convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para «transmitir a repulsa» do governo brasileiro e cobrar explicações sobre a atuação de Milei em território nacional
➡️Chamar um embaixador brasileiro que está em missão no exterior para consultas, como fez o Brasil, é uma medida considerada dura nas relações internacionais. É uma sinalização de que o país quer ouvir esclarecimentos de seu diplomata a respeito de uma atitude considerada hostil feita pela outra nação.
🔎Convocar o embaixador de outro país para uma conversa, por outro lado, é uma demonstração de insatisfação e de busca por explicações da outra nação.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores classificou o episódio como «sem precedentes» e «lamentável».
«Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial», diz nota.
Em entrevista à TV Globo, o chanceler Mauro Vieira classificou as declarações de Milei de «ríspidas, grosseiras e inaceitáveis» e afirmou que a fala foi uma «interferência em assuntos domésticos».
Vieira disse não conhecer precedentes recentes de um chefe de Estado estrangeiro se manifestando dessa forma em território brasileiro.
O chanceler descartou, neste momento, medidas diplomáticas mais duras, como a retirada da representação brasileira da Argentina. Segundo ele, o governo brasileiro pretende preservar os canais de diálogo e buscar esclarecimentos por vias diplomáticas.
«A retirada de embaixadores é um passo de grande gravidade. Dentro desse contexto de preservação, nós não vamos fazer isso agora. Nós precisamos de explicações do governo argentino: por que que o presidente da Argentina veio ao território brasileiro fazer esse tipo de manifestação e de declarações ríspidas, grosseiras e inaceitáveis?», disse
«Todo o episódio é extremamente grave e inaceitável. Mas nós temos que trabalhar pelo entendimento entre as nações, e a diplomacia é feita disso, de conversas», completou o chanceler.
Discurso em evento do PL
Javier Milei foi um dos convidados que discursaram na convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência neste sábado (25). Ele esteve em São Paulo para o evento.
Em um discurso inflamado, o presidente argentino fez críticas ao socialismo, valorizou a chamada «onda azul» na América do Sul e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de «lixo careca» após ter negada uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Milei também associou a candidatura de Flávio ao que chamou de uma transformação política em curso na América Latina e chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de «presidiário».
Segundo ele, países da região estariam abandonando governos de esquerda e adotando políticas liberais na economia, movimento ao qual o Brasil poderia se juntar.
Na última semana, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu autorização ao ministro Moraes, que é relator do caso, para o encontro com o argentino. Moraes negou a solicitação.
No discurso durante o evento, Milei criticou a negativa. «A Justiça brasileira não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando Lula se cansou de receber dirigentes estrangeiros enquanto esteve preso, entre eles o então presidente da Argentina, Alberto Fernández», continuou.
«Isso não é nada além de mais uma clara demonstração da injustiça de sua detenção e do caráter vingativo de seus responsáveis», completou.
STF reagiu à declaração
Horas depois, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, reagiu às falas de Milei e afirmou que as declarações do presidente da Argentina sobre o ministro Moraes são uma «referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro».
Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil», afirmou Fachin.
Em nota, o ministro afirmou ainda que o tribunal «deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados».
«Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados», completou o ministro.
