Dilma se reúne con el MST y recibe críticas por próxima ministra de Agricultura

Sem-terra resistem a Kátia

Em encontro com a presidente Dilma ontem, representantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) criticaram a indicação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o ministério da Agricultura.

“Kátia Abreu representa o agronegócio, o atraso, o trabalho escravo. E representa, principalmente, em seu Estado a grilagem de terra”, afirmou Alexandre Conceição, coordenador nacional do movimento, após o encontro.

Segundo ele, o MST “deu o seu recado”. “Temos colocado sempre que a nomeação da Kátia Abreu é uma simbologia muito ruim para aquilo que foi a eleição nas ruas, quando os movimentos sociais garantiram a vitória da presidenta Dilma”, disse.

Conceição afirmou que o MST pediu mudanças também na composição atual do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) e do Incra.

Invasão
Pela manhã, cerca de 60 manifestantes ligados a movimentos sem-terra invadiram a sede da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), em Brasília. Foram identificadas bandeiras da FNL (Frente Nacional de Lutas) e MBST (Movimento Brasileiro dos Sem Terra). (das agências).

Opovo

Em audiência com Dilma, MST cobra políticas emergenciais para o campo

Na tarde desta segunda-feira (15), representantes do MST participaram de uma audiência com a presidenta Dilma Rousseff para apresentar as principais pautas do Movimento para o novo governo.

Durante o encontro, o MST apresentou quatro eixos de propostas (clique aqui para lê-las), que perpassam o acesso e democratização da terra, o estímulo à produção de alimentos saudáveis, atenção à Educação no Campo, além de reivindicar a criação de novas políticas públicas de infraestrutura de assentamentos, como o PAC da Reforma Agrária.

“Entregamos para a presidenta Dilma as pautas mais urgentes como sinalização de diálogo, mas também de pressão em relação aos péssimos resultados para a Reforma Agrária no primeiro mandato. Não aceitaremos que a morosidade que marcou os últimos quatro anos se repita neste próximo período, por isso iremos intensificar as lutas e nos somar às pautas que dão unidade entre campo e cidade”, disse Alexandre Conceição, da direção nacional do MST.

Dentre as cobranças, está o assentamento de todas as famílias acampadas no país, com a valorização dos servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), órgão responsável pela execução das políticas de Reforma Agrária.

“É preciso que o governo elabore um Plano de Metas para assentar no mínimo 50 mil famílias por ano, no período de 2016-2018”, completou Débora Nunes, também integrante da direção do MST.

Para o Movimento, o governo também deve se comprometer com a transição da produção agrícola para o modelo agroecológico. Isto significa também o combate aos transgênicos e ao uso de agrotóxicos, somado a uma assistência técnica específica.

“Propomos a estruturação de um Plano Nacional de Alimentos Saudáveis, em que os assentamentos sejam os protagonistas, já que a produção de alimentos sem venenos só é possível por meio da Reforma Agrária”, explicou Márcio Matos, representante da Bahia na direção dos Sem Terra.

Outro ponto fundamental é a comercialização dos produtos. O MST reivindicou a reestruturação da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de forma que sua vinculação seja com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), ou o Ministério do Desenvolvimento Social.

“Este órgão deve ter o compromisso com a compra da produção da agricultura familiar e da Reforma Agrária. Por isso, é preciso fortalecer programas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), o Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar), o Terra Forte e trabalhar para a sua desburocratização”, informou Cedenir de Oliveira, da direção nacional do MST.

No campo da Educação, os Sem Terra exigem a construção de 300 novas escolas em áreas da Reforma Agrária, além de mais 100 Centros de Educação Infantil e a garantia de mais 30 Institutos Federais dentro de áreas de assentamentos.

“O quadro preocupante da Educação no Campo exige atenção especial do governo. São mais de 37 mil escolas fechadas na última década. Por isso, fortalecer o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária é prioritário”, disse Rosana Fernandes, integrante do setor de educação do MST e também da direção nacional.

Ainda no rol das reivindicações, está a instituição do Programa Nacional de Reflorestamento para os assentamentos. De acordo com Kelli Mafort, representante de São Paulo na direção do MST, “o programa incluiria o fomento administrado por mulheres para o reflorestamento de um hectare por família assentada, com árvores nativas e frutíferas”.

Pelo MST, participaram da reunião Débora Nunes, João Paulo Rodrigues, João Pedro Stedile, Márcio Matos, Rosana Fernandes, Kelli Mafort, Cedenir de Oliveira e Alexandre Conceição.

MST

Dilma diz que vai estar mais próxima de Kátia Abreu nos próximos quatro anos

A presidenta Dilma Rousseff participou na noite de hoje (15) da posse de Kátia Abreu para mais um mandato na presidência da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Em seu discurso, Dilma disse que ela e Kátia Abreu estarão “mais próximas do que nunca” nos próximos quatro anos. A senadora ouviu ainda da presidenta da República que o diálogo do governo brasileiro com o setor agropecuário, do qual tem “orgulho”, está apenas começando.

“Eu queria primeiro saldar a senadora Kátia Abreu, presidente da CNA, e que honra e orgulha as mulheres do nosso país pela sua capacidade de trabalho, pelas suas convicções firmes e pelo fato de ser uma lutadora incansável de um segmento que é muito importante para o nosso país, que é a agricultura e a pecuária brasileira”, iniciou Dilma o discurso.

As realizações do governo no primeiro mandato e o compromisso de que o apoio ao produtor rural se manterá nos próximos anos também foram destaques no discurso de Dilma Rousseff. Ela disse que o Plano Agrícola deste ano é o maior e mais completo até o momento, e que participa pessoalmente das decisões do plano em que são definidos os recursos para o agronegócio e para a agricultura familiar. De acordo com a presidenta, todas as sugestões da CNA são ouvidas e muitas delas acatadas.

Dilma disse ainda que o seu governo tem zelado pela “pujança do agronegócio”, e esse apoio é um compromisso com o país. Os recursos de financiamento com “juros adequados” são “tão generosos quanto nossa capacidade permite”, continuou. No que chamou de prioridades para o setor no segundo mandato, a presidenta prometeu dar condições e recursos para continuar expandindo a produção.

Citando industriais e trabalhadores rurais, Dilma desejou ter a CNA a seu lado, respeitando a sua autonomia e independência. “As reivindicações do agronegócio serão sempre uma baliza para a construção das políticas de apoio ao setor”, destacou.

Sobre os conflitos que envolvem o agronegócio e os movimentos sociais e os representantes de indígenas e quilombolas, Dilma disse que essas dificuldades não impediram o país de avançar. “Conseguimos com a isenção e o respeito aos interesses legítimos e em jogo, ainda que algumas vezes em posições diferentes, para não dizer antagônicas, atuar por Brasil com menos violência no campo. Se nem tudo pode ser resolvido, e é certo que nem tudo foi resolvido, e certas divergências são difíceis de superar, também é verdade que alcançamos muito mais que este país conheceu antes de nós, um período prolongado de paz no campo: recorde de produção, de geração de renda e emprego, aumento da produtividade e muita inclusão social”, declarou.

Ao final de sua fala, em um recado conjunto ao setor agropecuário, à diretoria da entidade e à própria Kátia Abreu, a presidenta desejou sucesso à CNA. “Desejo grandes conquistas para agronegócio e para o produtor rural brasileiro. Tenho certeza de que vamos caminhar juntos e de que estaremos muito próximas nesses próximos quatro anos, mais próximas do que nunca”, declarou.

EBC