En su 5º Congreso, el PT expresa su más profunda defensiva (Brasil) – Por Antonio Lassance

Los conceptos vertidos en esta sección no reflejan necesariamente la línea editorial de Nodal. Consideramos importante que se conozcan porque contribuyen a tener una visión integral de la región.

Em seu 5º Congresso, PT expressa sua mais profunda defensiva

O PT encerrou seu 5º Congresso (Salvador-BA, 11 a 14 de junho) sem trazer uma única novidade. O partido que nasceu para promover mudanças já não consegue mudar a si próprio.

Ficou a impressão de que há pouco além de discursos para se oferecer à sua militância e ao conjunto do povo brasileiro. Sua “narrativa”, a arte de contar o que está acontecendo e convencer os demais a concordar com seu ponto de vista, continua débil e equilibrada sobre uma areia movediça de declarações e posições que o afastam de sua base social.

Dias antes do evento, um grupo de parlamentares, encabeçado pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ), divulgou um manifesto que, além de contundente, se mostrou profético:

“… abdicamos do protagonismo na elaboração de propostas para o país. O PT foi, gradual e aceleradamente, perdendo a capacidade de formular e de pautar, por si mesmo, o debate nacional, a disputa política e ideológica na sociedade. A ponto de ser comum a cobrança da militância frente à nossa incapacidade de interferir nos rumos de nossos governos.”

Completava: “Tais erros precisam ser corrigidos e duramente combatidos dentro do próprio PT.”

Infelizmente, não foi dessa vez. Tudo continua como dantes no quartel petista. O PT não conseguiu sequer abolir a sua escravidão diante do financiamento empresarial de campanha, fonte de 10 entre 10 dos escândalos em que foi envolvido.

O partido pede paciência, ao invés de sinalizar mudanças em um país que precisa delas com urgência, e diante de uma militância que se formou para defender grandes causas, e não propostas de ajuste fiscal.

O partido reclama que é vítima do cartel dos meios de comunicação, aqueles a quem trata a pão de ló, com a máxima deferência, seja nas verbas de publicidade, seja na forma obsequiosa e cheia de informalidades com que repassa informações, depois vendidas em banca como manchetes. É assim que o governo continua a informar aos brasileiros e sua militância sobre o tal “o que é que está acontecendo?”

A imprensa dá mais atenção para a Lava Jato do que para a Operação Zelotes? Pois o Governo também. Enquanto a Lava Jato tem um time de delegados da Polícia Federal e procuradores maior do que já se viu em qualquer outra operação, a Zelotes tem um único procurador responsável por um caso que é gigantesco, muito maior que o da Lava Jato, seja em termos da quantidade de envolvidos quanto do volume de recursos sangrados dos cofres públicos.

O partido se diz vítima de investigações seletivas? Pois elas são feitas sob o comando de uma Polícia Federal sem comando. Não que os petistas não devam ser investigados. A pergunta que todos fazem é: por que só eles, do PT, são investigados e punidos, haja ou não provas? Por que se concede essa impunidade seletiva, graças à benevolência de órgãos que estão ocupados demais com o PT para dar aos demais a atenção e as grades que eles merecem?

E a culpa é de quem? Possivelmente, de um governo que prefere manter um ministro da Justiça meramente decorativo, ótimo para dar entrevistas, péssimo para dar sentido republicano e isonômico à atuação dos órgãos que estão (formalmente) sob o seu comando, sem contar a inoperância para produzir resultados em sua pasta.

O Congresso mostrou, mais uma vez, que as coisas de fato importantes para o PT deixaram de ser decididas de forma aberta e coletiva. Os processos de eleição direta (PEDs) fulminaram os encontros como forma de discutir teses, produzir embates e afiar a língua de sua militância para os diálogos do dia a dia.

O partido que inventou o orçamento participativo não consegue dar um mínimo de transparência às suas contas – mas não se fez de rogado para abrir uma nova campanha de arrecadação com filiados.

A legenda que diz ser contra o financiamento empresarial de campanha não conseguiu aprovar uma resolução a respeito. Fugiu do assunto e remeteu-o ao Diretório Nacional, assim como fez com tantas outras propostas.

Assim, continua valendo o arremedo de que o Partido não mais os receberá, mas seus candidatos sim. Em um partido que se orgulha de dizer que seus candidatos são do partido e eleitos por ele, quem vai acreditar que os negócios estarão à parte? Essa suposta separação de fato fará alguma diferença para a opinião pública? O financiamento empresarial está sendo tratado pelo PT na base do pavoroso refrão: “você não vale nada, mas eu gosto de você”.

O Partido está à deriva, ao sabor dos acontecimentos. Seu destino está sobretudo nas mãos do PMDB; de juízes, procuradores e delegados da Polícia Federal; de Joaquim Levy. Os militantes e os dirigentes mais aguerridos estão cada vez mais reduzidos à condição de torcedores, aos quais se pede paciência, fé e fidelidade.

Despreparado para enfrentar a conjuntura, incapaz de fazer a autocrítica necessária para defender-se dos ataques que tem sofrido e dar a volta por cima no desgaste de sua imagem, o Partido perdeu a oportunidade de se reinventar. Em seu 5º Congresso, não conseguiu fazer mais do que expressar sua mais profunda defensiva desde que foi fundado.

(*) Antonio Lassance é cientista político.

Carta Maior