Brasil: inauguran la mayor torre de investigación ambiental de Latinoamérica

Brasil e Alemanha inauguram torre de pesquisa na Amazônia

Estrutura é a maior da América Latina. O Observatório de Torre Alta da Amazônia, de 325 metros, permitirá, por exemplo, monitorar efeitos das mudanças climáticas na floresta.

Foi inaugurado, o Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, na sigla em inglês), estrutura de 325 metros que ampliará o campo de pesquisa e o entendimento da interação entre a biosfera e a atmosfera. A torre foi instalada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, entre os municípios de São Sebastião do Uatamã (AM) e Itapiranga (AM), a cerca de 150 quilômetros, em linha reta, de Manaus (AM). O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo; o governador do Amazonas, José Melo; e representantes da embaixada da Alemanha no Brasil participam da cerimônia.

Estimada em R$ 26 milhões, a Torre Alta da Amazônia é resultado de parceria científica entre Brasil e Alemanha, implementada por meio do Instituto Nacional da Amazônia (Inpa/MCTI), da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e dos institutos alemães Max Planck de Química e de Biogeoquímica. Do valor total, R$13 milhões foram aportados pelo governo brasileiro, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI), e R$ 13 milhões pelo governo alemão. Além disso, a Universidade Estadual do Amazonas (UEA) empregou R$ 2 milhões para restaurar a estrada do rio Uatumã até o sítio do projeto.

A Torre ATTO permitirá a análise de mudanças e modelos climáticos na floresta amazônica, além de monitorar os componentes da atmosfera relevantes às mudanças climáticas. Serão estudadas, por exemplo, as trocas de massa e energia que ocorrem entre o solo, a copa das árvores e o ar acima delas. O Observatório é o primeiro desse tipo na América do Sul e o único no mundo voltado para essa finalidade. A estrutura de investigação científica vai gerar conhecimento inédito sobre o papel do ecossistema amazônico no contexto das mudanças climáticas globais.

Segundo o coordenador do projeto ATTO pelo Inpa, Antonio Manzi, será possível aprimorar os modelos que fazem previsão de tempo e clima. “Nós projetamos o Observatório como um laboratório de referência mundial para as interações entre as florestas tropicais e a atmosfera. Os resultados obtidos fornecerão um grande avanço na representação das florestas tropicais em modelos de sistemas meteorológicos e da Terra para gerar previsões de tempo e cenários muito mais precisos sobre o clima”, explica.

A localização da torre na floresta tropical brasileira garantirá, segundo o diretor do Departamento de Biogeoquímica do Instituto Max Planck de Química, Meinrat Andreae, dados mais confiáveis. “O fato de estar distante das cidades e, portanto, das influências humanas, garante a coleta de dados relativamente não adulterados”, explica Andreae. “Além disso, a Torre Alta permitirá aos cientistas, a partir de agora, realizar suas medições nas camadas mais altas da atmosfera e mais contínua do que anteriormente, de modo que são de se esperar declarações mais confiáveis sobre o desenvolvimento da nossa atmosfera.”

Objetivo científico

O projeto tem o objetivo de monitorar e estudar o clima da Região Amazônica, por cerca de 20 a 30 anos, a partir da coleta de dados sobre os processos de troca e transporte de gases entre a floresta e a atmosfera. O observatório deve medir com precisão fluxos de água, dióxido de carbono (CO²) e calor, a fim de analisar o impacto do ciclo de absorção e liberação de substâncias.

O coordenador do projeto pelo Inpa diz que a ATTO permitirá o estudo do balanço de carbono. “Com as pesquisas que serão realizadas, aumentaremos os nossos conhecimentos sobre o esse ciclo de carbono tropical, o que é muito importante mundialmente”, observou Manzi.

Os 325 metros da ATTO possibilitam o monitoramento de uma extensão de espaço atmosférico jamais alcançada antes, cerca de mil quilômetros quadrados (km²), preenchendo lacunas de monitoramento e coleta de dados feitas por satélites e outros instrumentos. A expectativa é que o projeto atraia alto investimento científico de diversos países.

Do topo da torre de medição, pesquisadores também podem rastrear alterações em grandes áreas de floresta tropical causadas por massas de ar que as atravessam. Ao analisar essas interações, eles querem chegar a novas conclusões sobre a importância da floresta tropical para a química e a física da atmosfera.

O objetivo específico dos cientistas é, em primeiro lugar, compreender melhor as fontes de produção e de consumo de gases de efeito estufa, como o CO², metano e óxido nitroso. “Buscamos entender adequadamente o papel que a floresta desempenha na formação de partículas de aerossol e, portanto, a formação de nuvens. Uma série de segredos está esperando para ser descoberta usando nossa nova torre de medição”, avalia Jürgen Kesselmeier, coordenador do projeto pela Sociedade Max Planck.

O diretor do Inpa, Luiz Renato França, aponta as vantagens da cooperação internacional. “Nosso conhecimento sobre a Região Amazônica e a Terra não será o mesmo quando este empreendimento magnífico e impressionante estiver em pleno funcionamento”, avaliou. “Esta fascinante cooperação científica é uma clara ilustração de como uma tarefa gigantesca, que beneficia todo o planeta e a humanidade, pode ser desenvolvida quando dois grandes países, localizados em diferentes e distantes continentes, trabalham juntos em harmonia.”

Desafio da engenharia

A empresa responsável pela construção da torre é a San Soluções Empresariais, do Paraná, que venceu a licitação. O representante da empresa, Sérgio Alves do Nascimento, relata os desafios tecnológicos logísticos de uma obra dessa magnitude na Região Amazônica. “Em média, as estruturas que fazemos estão entre 50 metros e 150 metros. Para entregar uma estrutura de 325 metros no meio da floresta amazônica tivemos que vencer uma logística impressionante. Foi preciso trazer as peças da torre por estrada e por rio até a Reserva do Uatumã”.

A estrutura, que pesa 142 toneladas, é formada por um conjunto de 15 mil peças. Elas foram transportadas de Curitiba à Reserva do Uatumã por seis carretas que percorreram 4,5 mil quilômetros até Humaitá (AM), onde foram embarcadas em uma balsa que percorreu os rios Amazonas e Uatumã. Vinte e seis quilômetros de cordoalhas de aço fixam a estrutura a blocos de concreto instalados no solo da floresta.

Para chegar ao topo da Torre ATTO é preciso subir 1,5 mil degraus ou utilizar um dos seis elevadores de contra peso. A tecnologia empregada é 100% nacional.

Construção da parceria

A Alemanha é uma das principais parceiras do Brasil em ações de capacitação tecnológica e inovação. No setor de meio ambiente, a parceria entre os dois países já existe há 30 anos, por meio do Experimento de Grande Escala de Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), projeto do qual a Torre ATTO faz parte. Ambos os países têm tradição em estudos ambientais. Na Alemanha, a indústria de tecnologia do meio ambiente é um setor importante da economia e os alemães são líderes no estudo da química da atmosfera. Já o Brasil tem competência no campo da física de nuvens e transporte de matérias na camada limite – área situada na baixa troposfera (camada da atmosfera em que vivemos e respiramos) e que, portanto, sofre diretamente a influência da superfície. Na Amazônia, a camada limite pode atingir até 1,6 mil metros .

O LBA já possui outras torres na Amazônia, com alturas entre 50 metros e 80 metros, que são capazes de monitorar fenômenos de interação entre floresta e atmosfera num raio de 10 km. Em 2007, pesquisadores alemães propuseram a construção da torre alta depois de visitar a Torre K34, de 52 metros de altura, localizada na reserva biológica Cuieiras, ao norte de Manaus.

A cooperação para construção foi inicialmente acordada em 2009 por meio de um memorando de entendimento entre o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil com o Ministério de Educação e Pesquisa (BMBF) da Alemanha, que nomearam o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o Instituto Max Planck de Química (MPIC), respectivamente, como instituições coordenadoras do projeto.

Jornal Ja