Bolsonaro viaja a EEUU para discutir con Trump sobre Venezuela y comercio

Bolsonaro parte rumbo a EEUU para reforzar alianza con Trump y elevar presión sobre Venezuela

El presidente de Brasil, Jair Bolsonaro, partió este domingo rumbo a Estados Unidos, donde se reunirá con su homólogo Donald Trump para sellar una naciente alianza conservadora, fortalecer sus lazos económicos y militares y aumentar la presión sobre Venezuela.

El mandatario despegó de la base aérea de Brasilia junto a seis ministros, entre ellos el canciller Ernesto Araújo; el titular de Economía, Paulo Guedes; y el de Justicia y Seguridad, Sergio Moro, según la prensa local.

Es la primera visita bilateral de Bolsonaro al exterior desde que asumió el poder el 1 de enero. Su hijo y diputado federal Eduardo Bolsonaro -sumamente activo en las articulaciones con representantes de la ola neoconservadora mundial-, ya se encuentra en Estados Unidos.

El mandatario brasileño estará en Washington de domingo a miércoles y se alojará en la Blair House, la residencia oficial para huéspedes situada frente a la Casa Blanca. Bolsonaro anunció esta semana que una de las principales actividades de la visita será la firma de un acuerdo que posibilitará el lanzamiento de satélites estadounidenses desde la base de Alcántara (norte de Brasil).

También abordarán la crisis en Venezuela. La férrea oposición a lo que ambos gobiernos consideran una dictadura”en el país caribeño es uno de los temas que más une a los dos mandatarios. Estados Unidos está al frente de los más de 50 países -entre ellos Brasil- que reconocen al líder opositor Juan Guaidó como presidente interino, y ha aplicado sanciones económicas y un embargo al crudo de Venezuela, crucial para su economía, que empezará a regir el 28 de abril.

Se espera asimismo que ambos mandatarios discutan medidas para aumentar el comercio bilateral y el ingreso del gigante sudamericano en la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económicos (OCDE). Además de mantener una reunión privada con Trump el martes en el Salón Oval, Bolsonaro aprovechará su estancia en la capital estadounidense para reunirse con el secretario general de la Organización de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, y participará en varios foros sobre las oportunidades que ofrece la economía brasileña.

El domingo en la noche asistirá a una cena en la residencia del embajador de Brasil con “varios formadores de opinión” a la que, según versiones de prensa, asistirán el escritor brasileño residente en Estados Unidos Olavo de Carvalho, considerado gurú de Bolsonaro, y Steven Bannon, el controvertido exasesor del presidente de Estados Unidos. Después de su viaje a Estados Unidos, Bolsonaro visitará Chile y viajara a fin de mes a Israel, en una muestra clara de su tentativa de acercamiento a gobiernos que considera comprometidos con sus opciones ideológicas.

La Tercera


Alcântara, Venezuela e comércio: veja os temas que Bolsonaro e Trump devem discutir em Washington

Jair Bolsonaro e Donald Trump se reúnem pela primeira vez nesta terça-feira (19), em Washington. O encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos guarda expectativas de que acordos na área militar sejam assinados, além de que os dois países aumentem a pressão contra o regime de Nicolás Maduro na Venezuela.

Ao confirmar a visita, a Casa Branca adiantou, sem entrar em detalhes, alguns dos pontos previstos nas conversas entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos. Veja quais são:

  • Oportunidades para cooperação na área militar;
  • Como construir um “Hemisfério Ocidental mais próspero, seguro e democrático”;
  • Restauração da democracia na Venezuela;
  • Esforços para entregar a ajuda humanitária na Venezuela;
  • Políticas comerciais que favoreçam crescimento econômico;
  • Combate ao crime transnacional;

Dentro desses temas, confira abaixo o que pode ser discutido entre Bolsonaro e Trump, em Washington

 Centro de Lançamentos de Alcântara (MA)

O governo brasileiro adiantou que o encontro tratará de um acordo bilateral para permitir que os EUA lancem satélites, foguetes e mísseis a partir do Centro de Lançamentos de Alcântara, no Maranhão.

Durante transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente Bolsonaro e o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, confirmaram que o assunto está na pauta do encontro nesta terça-feira.

“O Brasil pode ser o principal ponto, talvez, de lançamentos de satélites em bases comerciais – o que não era possível se não tivéssemos esse acordo, porque sem acordo não é possível utilização de tecnologia americana nesses lançamentos”, apontou o chanceler.

Apesar de ceder a base de lançamentos aos EUA, o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) prevê que o local continuará sob jurisdição brasileira.

O tema não é novidade. Em 2000, o então presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, assinou o acordo com os EUA. No entanto, o Congresso Nacional rejeitou o texto.

“Estamos perdendo dinheiro naquela região há muito tempo. Poderíamos estar lançando satélites do mundo todo ali [em Alcântara]”, disse Bolsonaro na transmissão ao vivo.

Brasil como aliado fora da Otan

Outra possibilidade é que os EUA passem a considerar o Brasil um “aliado maior extra-Otan” a partir do encontro. Nesse rol, estão outros 17 países como Israel, Austrália, Coreia do Sul, Japão e Argentina.

Na visão do professor Adriano Gianturco, coordenador do curso de relações internacionais do Ibmec-MG, esse acordo deve ser firmado no encontro dos presidentes. “Provavelmente, Trump vai apoiar a ideia”, disse.

O assunto, porém, ainda não foi oficialmente confirmado por nenhum dos dois governos. Caso a expectativa se confirme, o Brasil entra na lista de compradores preferenciais de equipamentos militares e tecnologia dos Estados Unidos. O país também teria prioridade na cooperação em treinamentos com forças armadas.

No entanto, apesar de a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) formar um pacto militar, incluir o Brasil no grupo de aliados fora da organização é um movimento mais comercial do que exatamente estratégico, avalia o professor de relações internacionais Juliano Cortinhas, da Universidade de Brasília (UnB).

“A Otan se tornou grande aliança comercial, não mais militar. O Brasil vai comprar equipamentos produzidos pela Otan em padrão Otan”, ponderou Cortinhas.

Crise na Venezuela

Brasil e Estados Unidos foram os primeiros países a reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, pouco depois de ele prestar juramento para o cargo durante protestos em Caracas. Desde então, os dois governos pressionam o regime de Nicolás Maduro para por fim à crise venezuelana.

Tanto Brasil e EUA anunciaram que a Venezuela “e a defesa da democracia na região” serão tema do encontro entre Bolsonaro e Trump. Ambos devem conversar sobre as operações para levar ajuda humanitária ao território venezuelano.

A maior parte da carga está retida nas fronteiras da Venezuela com a Colômbia e o Brasil, onde, em fevereiro, houve confrontos com mortes e feridos graves.

Na visão de Juliano Cortinhas, da UnB, dificilmente os dois governos fecharão algo sobre a Venezuela que vá além da retórica contra o regime chavista. Apesar de Trump e o próprio Guaidó terem afirmado que “todas as opções estão na mesa”, o professor vê como improvável que os governos de Brasil e EUA apontem para uma intervenção militar.

No entanto, para o professor, a aproximação do governo Bolsonaro com os EUA pode levar o governo Trump a pressionar o Brasil a agir militarmente na Venezuela – hipótese considerada improvável por Cortinhas. O próprio governo brasileiro reiterou, mais de uma vez, que uma intervenção militar na Venezuela não está em cogitação.

Comércio bilateral

O comércio entre Brasil e Estados Unidos certamente estará em pauta na Casa Branca – afinal, os dois governos sinalizaram que vão discutir o assunto.

É ainda incerto, porém, o que os dois lados vão definir durante a reunião. Na transmissão ao vivo de quinta-feira, o ministro Ernesto Araújo disse que “principalmente a agricultura” entrará na pauta, sem comentar mais detalhes.

Por isso, o professor Cortinhas aponta que a reunião deve se concentrar no mercado de commodities brasileiras vendidas aos EUA. O especialista crê que o encontro trará bons resultados para a economia do Brasil, mas faz um alerta.

“O Brasil não pode, ao se aproximar demais dos EUA, deixar de olhar para produtos brasileiros industrializados com alto valor agregado”, ponderou.

O professor Gianturco aponta a China como outro assunto que deve entrar nas discussões. A maior parceira comercial do Brasil se envolveu em “guerra comercial” com os EUA no fim do ano passado.

“Trump está tentando colocar obstáculos na expansão da China no exterior. Isso inclui investimento, infraestrutura, compra de armas, empréstimos e ajuda externa que a China vem fazendo com vários países”, apontou Gianturco.
O especialista também vê a possibilidade de Trump advogar pela entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) – uma pretensão do governo brasileiro iniciada ainda no período de Michel Temer à frente da Presidência. “Uma aprovação dos EUA seria importantíssima”, avaliou Gianturco.

Na transmissão ao vivo de quinta-feira, Bolsonaro e Araújo disseram que vão aproximar a relação com os Estados Unidos – o que, segundo o ministro, “foi negligenciada nos últimos anos”. No entanto, os dois reforçaram que essa aproximação não prejudicará as parcerias com outros países.

“É o momento de começarmos a retomar a parceria natural, uma parceria que foi e pode voltar a ser essencial para o desenvolvimento do Brasil, evidentemente sem exclusão das outras grandes parcerias nossas”, afirmou Araújo.

Outros temas

Tanto Bolsonaro quanto a Casa Branca apontaram outras pautas incluídas no encontro de Washington. No entanto, nenhum dos lados detalhou como esses assuntos serão abordados na reunião presidencial. Veja que temas são esses:

  • Segurança e combate ao crime;
  • Biodiversidade;
  • Energia.

Além disso, o colunista do G1 Valdo Cruz aponta que Bolsonaro quer discutir com Trump a atuação das organizações não governamentais – as ONGs – na Amazônia. Na visão da equipe do presidente, disseram assessores ao blog de Cruz, algumas dessas entidades atuam para limitar a atuação do governo brasileiro na região.

Há também a possibilidade de que Bolsonaro e Trump conversem sobre a isenção de vistos de cidadãos norte-americanos que desejem viajar ao Brasil. Em entrevista à Rádio Gaúcha, o ministro Ernesto Araújo confirmou que o tema está em estudo no Itamaraty, mas não vinculou a medida às negociações com o presidente dos EUA em Washington.

O Globo


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