Bolsonaro cumple 100 días de gestión entre polémicas y criticas

Controversias y críticas en 100 días de gestión de Bolsonaro

El presidente de Brasil, Jair Bolsonaro, cumple este miércoles 100 días de gestión. La relación con su homólogo de EE.UU., Donald Trump, y la reforma de las jubilaciones – promesa durante su campaña – fueron foco de críticas durante los primeros meses de su Gobierno.

El pasado 7 de marzo una encuesta de Atlas Político reveló que un 30 por ciento de los brasileños consideran que el Gobierno de Bolsonaro es pésimo, desde la redemocratización de 1985, mientras que el 61 por ciento se decantó por promesas y políticas incumplidas durante su gestión.

Las controversias en las que se ha visto envuelto el presidente del Partido Social Liberal (PSL) son la posesión de armas, la privatización de decenas de aeropuertos, la constitución de un gabinete ejecutivo con militares y figuras de extrema derecha, la conmemoración de los 55 años del golpe militar en Brasil y el acuerdo de instalación de bases militares estadounidenses.

En el ámbito internacional Bolsonaro dejó a un lado las relaciones bilaterales con China, principal aliado comercial del país, y estableció alianzas con mandatarios de gobiernos derechistas, tales como el de Sebastián Piñera en Chile y el del primer ministro de Israel, Benjamín Netanyahu.

Igualmente impulsó junto a otros presidentes de Suramérica la creación del Foro para el Progreso y el Desarrollo en América del Sur (Prosur) con el propósito de eliminar la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur).

El mandatario brasileño se ha visto involucrado en presuntas transacciones financieras ilegales. De acuerdo con el Consejo de Control de Actividades Fiscales (COAF), uno de sus hijos, Flavio Bolsonaro, recibió de parte de su chofer, Fabricio Queiroz, 48 depósitos con un monto de 24.000 dólares en un mes. A Queiroz también se le atribuye el ingreso de dinero a las cuentas de la esposa del presidente.

El juez Sergio Moro, actual ministro de Justicia de Brasil, designado por Bolsonaro, fue quien encarceló precisamente hace un año al expresidente Luiz Inácio Lula da Silva por supuestos hechos de corrupción, nunca comprobados.

teleSUR


Em 100 dias, turbulências de Bolsonaro vão de tensão com o Congresso a crise no MEC

Os primeiros cem dias do governo de Jair Bolsonaro (PSL) foram fartos em polêmicas, recuos e casos de imobilidade política e administrativa.

Ainda sem base parlamentar, a gestão patina para obter apoio para seus projetos prioritários, como a reforma da Previdência. Além dos problemas de articulação política, o presidente enfrenta desgastes gerados por casos como o do esquema de candidaturas de laranjas no seu partido, o PSL, por disputas de poder entre seus próprios apoiadores e recuos sucessivos.

Veja abaixo as principais crises que surgiram no Palácio do Planalto e na Esplanada dos Ministérios nestes primeiros cem dias de governo. ​

​Desarticulação e derrotas no Congresso

Bolsonaro ainda não conseguiu formar algo que possa ser considerado como sua base parlamentar. Em seu discurso, o presidente diz que atua contra a “velha política” e se nega a conceder espaço no governo em troca de apoio no Congresso. Os parlamentares, por sua vez, já impuseram derrotas ao governo, como a revogação de mudanças na Lei de Acesso à Informação e a aprovação do Orçamento impositivo, considerada uma “pauta-bomba”.

Bolsonaro também vem colecionando desentendimentos com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao longo do mandato. O deputado chegou a afirmar que Bolsonaro “estava brincando de ser presidente” e que deveria “usar menos o Twitter”.

O presidente e Maia firmaram uma trégua, mas o deputado diz que cabe a Bolsonaro articular uma base no Congresso que permita a aprovação de temas de interesse do governo, como a reforma da Previdência.

Os problemas no Congresso também incluem conflitos dentro do próprio partido do presidente, o PSL, e queixas dos parlamentares em geral quanto ao diálogo com os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Santos Cruz (Secretaria de Governo), responsáveis pela articulação junto ao Legislativo.

Laranjas do PSL

A Folha revelou, em 4 de fevereiro, que o ministro do Turismo do governo Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), deputado federal mais votado em Minas Gerais em 2018, patrocinou um esquema de quatro candidaturas de laranjas no estado, abastecidas com verba pública do PSL.

Dias depois, em 10 de fevereiro, nova reportagem da Folha revelou que o grupo do atual presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), criou uma candidata laranja em Pernambuco que recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição de 2018.

Álvaro Antônio nega as acusações e afirma que elas visam atingir o governo Bolsonaro. Já Bivar se esquiva das acusações e afirma que o responsável pelo partido durante a eleição de 2018 foi Gustavo Bebianno, braço direito de Bolsonaro. Esse envolvimento, inclusive, foi um dos motivos que levou à queda de Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência.

O ministro do Turismo descarta ainda se afastar do cargo, embora haja pressão para que ele peça demissão para cuidar da própria defesa. Ele chegou a tentar censurar a Folha, pedindo que o jornal retirasse do ar as reportagens sobre o esquema de laranjas no PSL. A Justiça negou o pedido de liminar.

Fritura e demissão de Bebianno

A queda de Gustavo Bebianno, a primeira de um ministro no governo Bolsonaro, está relacionada à crise dos laranjas no PSL, mas virou um capítulo à parte.

Presidente do PSL no período eleitoral, Bebianno foi responsável pela filiação de Bolsonaro ao partido e atuou como seu braço direito na corrida presidencial. Também era o responsável formal por autorizar repasses dos fundos partidário e eleitoral a candidatos da legenda.

A revelação de que Bebianno teria liberado R$ 250 mil de verba pública para a campanha de uma ex-assessora, que repassou parte do dinheiro para uma gráfica registrada em endereço de fachada, colocou o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência no centro das atenções do esquema. Ele nega ter feito essa liberação.

A Folha havia publicado que Bolsonaro –à época ainda internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo– se recusava a atender Bebianno. O então ministro rebateu, dizendo ao jornal O Globo que tinha falado três vezes no mesmo dia com o presidente.

Já Carlos Bolsonaro –com quem Bebianno já tinha uma relação pouco amistosa desde antes do começo do governo– foi às redes sociais declarar que o ministro mentia sobre a tentativa de contato com o pai.

Bolsonaro endossou nas redes sociais os ataques do filho, inclusive de que Bebianno mentiu, e ainda afirmou, em entrevista à TV Record, que seu ministro poderia “voltar às suas origens” se fosse responsabilizado pelo caso dos laranjas.

A gota d’água foi o vazamento de áudios trocados entre Bebianno e Bolsonaro, que contradiziam a versão do presidente de que não havia feito contato com o aliado. Políticos e militares chegaram a intervir em favor de Bebianno, temerosos de que a crise afetasse a tramitação de projetos importantes como a reforma da Previdência no Congresso. No entanto, ela apenas prolongou a fritura pública de Bebianno, que foi demitido oficialmente em 19 de fevereiro.

Filhos de Bolsonaro

Os três filhos de Bolsonaro que estão na política —o vereador Carlos (PSC-RJ), o senador Flávio (PSL-RJ) e o deputado federal Eduardo (PSL-SP)— são presença constante nas atividades do pai e também protagonizam polêmicas que envolvem o governo.

Vereador do Rio de Janeiro, Carlos é dos três o que mais exerce influência sobre o pai e foi figura marcante na polêmica demissão de Bebianno. Carlos coordenou a comunicação de Bolsonaro nas redes sociais durante a campanha e até desfilou em carro aberto ao seu lado do pai e da primeira-dama Michelle na cerimônia de posse.

Já Eduardo, reeleito deputado federal por São Paulo com a maior votação da história, exibe força nas relações internacionais. Foi ele quem avalizou a indicação feita pelo escritor Olavo de Carvalho do chanceler Ernesto Araújo. E participou da reunião a portas fechadas de Bolsonaro com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca.

O filho mais velho, Flávio, também é ouvido pelo pai, embora esteja ofuscado pela investigação das movimentações financeiras suspeitas do seu ex-assessor Fabrício Queiroz. Mesmo assim, foi ele quem acompanhou Bolsonaro na viagem a Israel.

A influência dos filhos de Bolsonaro sobre o pai já foi alvo de queixas tanto de parlamentares como de outros integrantes do governo. As Forças Armadas, outro sustentáculo do governo Bolsonaro, também guardam receios a esse livre trânsito. O presidente, no entanto, dá sinais de que o canal com os filhos deve continuar.

Gafes internacionais

Na primeira viagem internacional como presidente, para o Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), Bolsonaro desmarcou na última hora uma entrevista coletiva com jornalistas.

O cancelamento pegou de surpresa a organização da tradicional conferência, que costuma reunir a nata do capitalismo mundial, e também fez a delegação do Planalto bater cabeça. Ministros também não foram à coletiva.

Um assessor do Planalto afirmou que o cancelamento se devia “ao comportamento da imprensa” com o presidente. Depois, cobrou explicações da Folha pela divulgação da informação.

Outras viagens de Bolsonaro ao exterior também renderam polêmicas. Nos Estados Unidos, disse que “a maioria dos imigrantes não tem boas intenções”; e em Israel, reforçou a tese revisionista da chamada nova direita que vê o nazismo como um movimento de esquerda –refutada internacionalmente.

Comemorações do golpe de 1964

Entusiasta do regime militar (1964-1985), Bolsonaro ordenou no último dia 25 ao Ministério da Defesa que as Forças Armadas fizessem “comemorações devidas” ao 31 de março de 1964, data que marcou o início da ditadura no Brasil. O presidente nega que o Brasil tenha vivido uma ditadura e considera o golpe como uma intervenção militar que “salvou o país do comunismo”.

A ordem gerou reações tanto na sociedade civil como no meio político. Até militares, que temiam uma tensão ainda maior do ambiente político, ficaram incomodados com a ordem de Bolsonaro.

Uma juíza chegou a determinar na sexta-feira (29) que fossem suspensas as celebrações da data. No dia seguinte, a liminar foi cassada. Na prática, unidades militares exaltaram o 31 de março em eventos internos ao longo da semana.

No aniversário do golpe, a comunicação do Palácio do Planalto divulgou um vídeo que defendia a atuação militar. Um empresário bolsonarista assumiu a autoria da peça. O Planalto, por sua vez, não quis se manifestar.

Crise no MEC

Considerado um setor chave para a linha ideológica bolsonarista, o Ministério da Educação se vê imerso em uma crise institucional que paralisa a pasta desde o começo do governo.

Os servidores nomeados pelo ex-ministro Ricardo Vélez Rodríguez, indicado pelo escritor Olavo de Carvalho, estão divididos entre os de perfil técnico —oriundos em sua maioria do Centro Paula Souza—, os indicados por militares e os indicados por Olavo. O racha resultou em uma série de demissões e desencontros na pasta.

No último dia 4, depois de Vélez defender revisão do golpe de 1964 nos livros didáticos, militares começaram a pressionar o governo para sua demissão. A avaliação é que a atitude do ministro criou um desgaste desnecessário pouco depois do aniversário de 55 anos do golpe.

Olavo e militares

Considerado uma espécie de guru do bolsonarismo, o escritor Olavo de Carvalho diz que apoia o presidente “por ser honesto”, mas que até hoje “não sabe quais são suas ideias políticas”. E afirmou, durante jantar nos EUA em 17 de março, que o governo Bolsonaro “acaba em seis meses” se continuar como está.

Olavo também defende que os militares no governo são má influência e têm atuado para prejudicar Bolsonaro desde o início do mandato. Os alvos principais são o vice-presidente, general Hamilton Mourão, e o ministro general Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo).

Embora negue oficialmente, Olavo goza de grande influência no governo. De temperamento explosivo, ele foi o responsável pela indicação de dois ministros –Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Ricardo Vélez Rodríguez (Educação), depois substituído por Abraham Weintraub, também próximo a Olavo.

Outro alvo das críticas de Olavo é a mídia, que ele acusa de “tentar um golpe contra o presidente”.

Polêmica no Carnaval

Na terça-feira de Carnaval, Bolsonaro publicou no Twitter um vídeo no qual um homem urina na cabeça de outro –um fetiche conhecido como “golden shower”. Ele disse que “não se sentia à vontade” em divulgar tais cenas, mas que precisava “expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades”.

O compartilhamento do vídeo obsceno foi criticado até mesmo por seguidores de Bolsonaro, e ganhou novo impulso quando o próprio presidente, no dia seguinte, usou novamente o Twitter para perguntar o que era “golden shower”.

Em nota, Bolsonaro afirmou que não pretendia criticar o Carnaval de forma genérica. Dias depois, diante da repercussão negativa, Bolsonaro apagou de suas redes as duas postagens –a do vídeo e a do questionamento sobre “golden shower”. A defesa dos dois homens retratados no vídeo também havia ingressado com pedido de mandado de segurança no STF (Supremo Tribunal Federal) requerendo a exclusão das imagens da conta do presidente.​

Folha de S. Paulo


Cien días del desgobierno de Bolsonaro – Por Lu Sudré

Este miércoles, 10 de abril, se cumplen los cien primeros días del gobierno de Jair Bolsonaro en la presidencia de Brasil. Declaraciones públicas polémicas, decisiones cuestionables y retrocesos marcan los tres primeros meses de gestión del capitán retirado que dieron seguimiento al desgaste iniciado durante el proceso electoral polarizado. El agitado escenario político desafía a especialistas, políticos, y a la población a cada nueva noticia o pronunciamiento.

La popularidad del ultraderechista, las articulaciones del ministro de Economía Paulo Guedes para la aprobación de la reforma de las Pensiones que defienden y la relación entre Bolsonaro y el gobierno estadounidense estuvieron el centro de la atención mediática y de las críticas en sus primeros tres meses de gobierno.

Para la politóloga Rosemary Segurado, los cien primeros días de Bolsonaro representan una continuación de su campaña electoral, sin la presentación efectiva de un plan de gobierno. “No hubo aprobación o seguimiento de absolutamente nada en concreto. No hubo nada de hecho en ese período. En el Congreso, él no consiguió dialogar ni tampoco conquistar la mayoría. Un gobierno desgobernado. Desgobernado aunque formado por personas muy cercanas a sus ideales”, afirma la docente en Ciencia Política de la Pontificia Universidad Católica de São Paulo (PUC-SP).

En su opinión, cada día las contradicciones entre el discurso y la práctica se vuelven más evidentes en la gestión de Bolsonaro. “Se trata de un gobierno que actúa en favor de la nueva política cuyas prácticas son las que más se aproximan a la vieja política. Realmente un desastre. Es lamentable lo que estamos viviendo en nuestro país en este momento. Una destrucción de las instituciones democráticas a una velocidad, con una rapidez inaceptable e increíble”.

RÉCORD DE REPROBACIÓN

Aunque haya sido electo con 57,7 millones de votos, hoy el mandatario vive un caída en su aprobación. Según una encuesta realizada por el Instituto Datafolha el pasado domingo (7), Bolsonaro tiene la peor evaluación entre los presidentes electos para un primer mandato desde la redemocratización en 1985. Para el 30% de los brasileños escuchados en el sondeo, el gobierno es malo o pésimo. Ya para el 61%, el ultraderechista hizo menos de lo que se esperaba en el ejercicio del cargo.

La expectativa de que el mandatario haga una buena gestión también disminuyó. Antes de su toma de posesión el 1º de enero, un 65% opinaba que la gestión del presidente ultraderechista sería buena u óptima, ahora solo el 59%, mientras que el índice de los que tienen la expectativa de que Bolsonaro haga una gestión mala o pésima aumentó y alcanzó el 23%. El número de entrevistados que creen que el gobierno de Bolsonaro será regular sigue igual, entre 17 y 16%.

Un análisis realizado por el IBOPE en marzo ya había señalado una caída en la aprobación de Bolsonaro principalmente entre los electores con menor poder adquisitivo. La caída de 15 puntos porcentuales en la evaluación positiva del presidente, según la encuesta del instituto, es más evidente entre los electores con menos ingresos. En esa franja social, la aprobación de Bolsonaro disminuyó 18 puntos.“Esas personas se ven obligadas a revisar [sus posiciones]. Podrían criticar al Partido de los Trabajadores (PT), es algo legítimo, pero ¿cuál es el precio de sacar el PT del gobierno? Muchos están pensando en eso ahora”, analiza Segurado, que considera que la popularidad del mandatario va a caer aún más.

CRISIS CONTINUAS

El discurso antipolítico y anticorrupción de Bolsonaro también entraron en conflicto con los escándalos que implican a personas de su gobierno. En diciembre del pasado año, los medios de comunicación presentaron denuncias sobre transacciones financieras atípicas realizadas por Fabrício Queiroz, ex asesor de Flávio Bolsonaro, y desgastaron al gobierno en vísperas de la toma de posesión presidencial.

Una investigación identificó pagos de cientos de miles de reales a Flávio Bolsonaro, entonces diputado estadual de Rio de Janeiro, ahora senador. Los ministros nombrados por el presidente también estuvieron implicados en polémicas durante los últimos tres meses.

La composición ministerial de Bolsonaro también fue cuestionada. Según un reportaje de la revista Carta Capital, nueve ministros de Bolsonaro son investigados o acusados en acciones judiciales.

En febrero, Gustavo Bebianno, entonces Jefe de Gabinete de la Secretaría General de la Presidencia de la República, pasó a ser investigado después de que el diario Folha de S. Paulo reveló la autorización de desvíos presupuestarios al partido de Bolsonaro a través de una candidata prestanombre durante las elecciones de 2018. Días después de protagonizar discusiones en las redes sociales con el hijo mayor del mandatario, Carlos Bolsonaro, Bebianno fue destituido.

La segunda destitución en el gobierno Bolsonaro ocurrió el último lunes, 8 de abril. El ministro de educación Ricardo Vélez Rodríguez, un seguidor del polémico autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho, expresó más de una vez que le gustaría implementar los valores familiares y religiosos en las escuelas brasileñas. Vélez Rodríguez intentó crear reglas- y después retrocedió – para autorizar el uso de libros didácticos sin revisiones textuales y sin referencias bibliográficas.

Posteriormente, envió una carta a las escuelas brasileñas para que filmaran a los alumnos entonando el himno nacional y recitando el eslogan del gobierno “Brasil por encima de todo, Dios por encima de todos”. Posteriormente, retrocedió debido a la inconstitucionalidad de la medida.

Durante una de sus últimas declaraciones públicas antes de la destitución, Vélez defendió cambiar los libros de Historia para defender el golpe de Estado de 1964 en el país y la dictadura militar.

Después de sustituir a 20 miembros de su gabinete, incomodando a diversos sectores del gobierno, Vélez también fue sustituido por Abraham Weinbtraub, como anunció Bolsonaro en su cuenta de twitter.

JUBILACIÓN

La Propuesta de Enmienda Constitucional (PEC) 06/2019, que altera las reglas de la jubilación, es la locomotora del gobierno Bolsonaro y de su equipo, que corren para aprobarla en el Congreso Nacional.

En comparación con las reglas actuales, basadas en principios de solidaridad y universalidad, la la edad mínima exigida aumentará para las mujeres de 60 a 62 años, si trabajan en la ciudad. Para las mujeres del campo, habrá un aumento de cinco años, o sea, la edad mínima subirá de 55 a 60 años.

Los hombres permanecerán con las mismas franjas etarias: 65 años para un trabajador del área urbana y 60 para el trabajador rural. Si Bolsonaro consigue aprobar la reforma al apuro, como ha defendido, el tiempo mínimo de contribución aumentará para ambos sexos de 15 a 20 años. O sea: la propuesta de Paulo Guedes, ministro de Economía, hace que la población brasileña se jubile más tarde y contribuya con el sistema de pensiones por más tiempo.

Flávio Roberto Batista, profesor de la Facultad de Derecho de la USP y doctor en Derecho de Pensiones, considera que los cambios en la jubilación serán un gran desastre para la población brasileña, ya que desmantelan el sistema de pensiones actual. “Incluso con todas las transformaciones por las cuales ya pasó en estos casi cien años, nunca pasó por una mutilación tan grande”, destaca.

Batista alerta que la reforma de Guedes incide sobre un mercado de trabajo formado, mayoritariamente, por trabajadores con baja remuneración. Él es enfático al afirmar que aumentar la edad y el tiempo de contribución, en la práctica, va a impedir que la enorme mayoría de los trabajadores acceda a su jubilación.

“Es importante destacar que eso transforma esta propuesta en una propuesta racista y machista, porque sabemos que la estratificación de ingresos en el mercado de trabajo brasileño está marcada por el género y la raza. A partir del momento en que, cuanto más pobre y menor calificado el trabajador, más difícil será el acceso a su beneficio, inmediatamente verificamos que especialmente las mujeres negras van a ser las personas más perjudicadas por esa reforma”, añade.

De acuerdo con el especialista, el principal objetivo de la propuesta formulada por Guedes es beneficiar al mercado financiero por medio de la desconstitucionalización de las Pensiones y la creación de un sistema de capitalización privado. Batista también señala que el apuro del gobierno por aprobar la propuesta es justamente porque no le agrada la mayoría de los trabajadores del país. “El pueblo no quiere la reforma de las Pensiones y eso ya quedó muy claro. Esa urgencia viene del aprovechamiento de este momento inicial del gobierno en el cual, supuestamente, su popularidad sería mayor, porque acaba de ser electo, y de ese temor que se tiene de la reacción popular a esta propuesta, porque no es bien acogida por el pueblo”.

Otro punto criticado por él relacionado con los primeros cien días del gobierno de Bolsonaro es la falta de debate social sobre los cambios en la jubilación. “Es el proyecto del mercado tramitado a toda velocidad, pasando un tractor. No puede haber ningún tipo de transigencia con esta propuesta, tiene que ser refutada integralmente”, resalta.

Rosemary Segurado comparte la evaluación de que la ausencia de diálogo es una característica central del gobierno de Bolsonaro. “No sabe dialogar. No consigue dialogar con los partidos. No consigue dialogar con el Congreso. Cree que está en el cuartel o con su familia, que él habla y todo el mundo obedece. En la política no es así.” ​

​ SE VENDE TODO

La ida de Bolsonaro a los Estados Unidos para encontrarse con Donald Trump fue exaltada y conmemorada por sus seguidores. Sin embargo, especialistas miran con criticidad la relación establecida entre los gobiernos, construida con base en una serie de concesiones brasileñas.

Después de 20 años de negociaciones, los países convinieron los términos del Acuerdo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), que concedió el uso comercial de la base de Alcântara, en Maranhão, a Trump. En esa ocasión, en una entrevista con Brasil de Fato, el diplomático Samuel Pinheiro Guimarães criticó la firma del acuerdo.

“Todos los países que tienen tropas extranjeras en su territorio, aunque con nombres de fantasía, como la OTAN [Organización del Tratado del Atlántico Norte], no son totalmente soberanos. Hoy en día, los Estados Unidos son, tal vez, el mayor país lanzador de satélites del mundo. No creo que los Estados Unidos vayan a construir una competencia en territorio brasileño. Segundo, no hay ninguna empresa brasileña capaz de producir satélites o misiles para ser lanzados. Entonces, sería una especie de rentismo, como ya estamos viviendo en Brasil. Estamos vendiendo o alquilando todo”, afirmó.

Flávio Rocha, especialista en geopolítica y seguridad internacional, entiende que el acuerdo está motivado por una política “ultraneoliberalizante” y lastima la soberanía nacional. “Se busca un alineamiento geopolítico a todo costo, a corto plazo, con los Estados Unidos”, alerta. Además de ceder una de las ubicaciones más estratégicas del mundo para lanzamiento de satélites, Brasil acabó con el fin de la exigencia de visado para turistas de los Estados Unidos.

No solo el territorio de Maranhão corre riesgos bajo el gobierno Bolsonaro. El dossier del Instituto Tricontinental de Investigación Social, publicado en marzo, mostró que cada vez más la región amazónica es blanco del agro negocio y de la minería extranjera.

“Todos los intereses posibles confluyen sobre la Amazonía. Es un espacio de riqueza mineral, ambiental, social y cultural enorme. Es un espacio políticamente muy interesante, es una frontera grande, con muchos países. Es hasta difícil enumerar los intereses imperialistas en esa región: son infinitamente diversos”, señala Ana Penido, integrante del Instituto Tricontinental.

Doctora en Relaciones Internacionales por el Instituto Santiago Dantas, Penido explica que hay una antigua preocupación de militares nacionalistas con la actuación de ONG internacionales en la Amazonía. A pesar de ello, según ella, esa preocupación no se expresa con la misma intensidad cuando se relaciona con la compra de tierras por grandes empresas extranjeras. “Es un nacionalismo muy selectivo, sólo en el momento que le interesa el gobierno”, subraya la investigadora.

El documento del Instituto Tricontinental denuncia además que, en el caso de la minería, por ejemplo, diversas empresas multinacionales actúan en la región, “sin control muy directo del Estado brasileño”.

Según el dossier, “los continuos proyectos de ocupación e intervención del Estado brasileño en la región fueron de subordinación a los intereses externos, con medidas que facilitan la exploración del territorio por las grandes potencias y empresas transnacionales, con exenciones fiscales, préstamos públicos, inversiones en infraestructura y donaciones de tierras”.

“Todo indica la venta generalizada del patrimonio nacional. Es difícil decir que la Amazonía va a continuar siendo brasileña. Mientras el Estado brasileño, tal vez continúe siéndolo, pero la riqueza, cada día que pasa, es explotada por multinacionales extranjeras”, enfatiza Penido.

​ FUTURO INCIERTO

Fueron tantas informaciones y movimientos en apenas cien días, que la habilidad política de Bolsonaro y su equipo ministerial pasó a ser cuestionada por la población, especialistas y políticos.

En la perspectiva de Rosemary Segurado, la habilidad política nunca fue parte de la carrera política de Bolsonaro. Para ella, la postura extremista y autoritaria del presidente evidencia su incapacidad de dialogar con los demás partidos y opositores.

“El presidente tiene que ser alguien que agregue, que sume en el país, [con] sus innúmeras diferencias. No lo contrario. Y él no demuestra eso. Y quien no demuestra eso en este momento, muy difícilmente construirá eso. Es cambiar la llanta del auto con el auto andando”, complementa.

Segurado evalúa que, en esta turbulenta coyuntura política, incluso la permanencia de Bolsonaro en la presidencia puede estar en juego. “Parece que él se está sintiendo presionado y tenemos que ver si él va a querer dar continuidad a esa aventura que él comenzó. Porque es eso. Me parece que él entró en una aventura que no tenía noción de lo que sería”.

FICHA TÉCNICA

Reportaje: Lu Sudré | Edición: Aline Carrijo | Fotos: Sérgio Lima/AFP; Fabio Teixeira/AFP; Carl de Souza/AFP | Arte: Lucas Milagres y Fernando Badharó | Traducción: Luiza Mançano y Pilar Troya | Coordinación de Multimídia: José Bruno Lima | Coordinación de Periodismo: Daniel Giovanaz y Vivian Fernandes

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