La revista Observatorio Judío de Derechos Humanos se lanzó en la Casa del Pueblo

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La revista Observatorio Judío de Derechos Humanos se lanzó en la Casa del Pueblo

Os judeus progressistas foram recebidos com surpresa quando reagimos a esta vertente que infelizmente acabou chegando ao governo e dissemos: “Não em nosso nome”. Nos colocamos diante de uma história que nos mobiliza, nos sensibiliza em defesa dos Direitos Humanos. E não nos colocamos fora, mas inseridos nesta causa; se a estimativa é de que morreram 6 milhões de judeus sob o nazismo, o que se estima, em número de mortos, chega a 40 milhões de judeus, ciganos, comunistas, socialistas, populações nos países invadidos e ocupados. Decidimos: temos que denunciar, botar a boca no trombone, elaborar documentos, análises, apontar alternativas. O Observatório busca trazer elementos de reflexão e a atuar pela formação de parcerias com outras entidades de defesa da democracia, dos direitos humanos

Clarisse Goldberg – da Coordenação do OJDHB

“Estamos aqui. Isso demonstra que há uma presença judaica que se contrapõe ao ataque à democracia e uma presença judaica na construção dessa ampla aliança que está se configurando a partir de iniciativas como esta. A página do OJDHB já conta com a participação de mais de 900 pessoas”, afirmou Jayme Brener, o idealizador do Observatório Judaico dos Direitos Humanos no Brasil (OJDHB), no lançamento da revista Observatório, no dia 14, na Casa do Povo, sede do Instituto Cultural Israelita Brasileiro

ONDE COMEÇAM OS DIREITOS HUMANOS

O ato foi iniciado com a apresentação do documentário de Samuel Neuman, Onde começam os Direitos Humanos Universais?,  o filme relata que o OJDHB “surge em janeiro de 2019 com o objetivo de fiscalizar e defender o respeito aos direitos humanos e denunciar as violações contra esses direitos e as entidades que os defendem” e esclarece que o Observatório “remonta ao momento em que milhares de brasileiros de origem judaica, em todo o Brasil, foram às ruas durante a recente campanha eleitoral contra as ameaças aos direitos humanos e à democracia”.

Começa trazendo imagens de manifestações de judeus com faixas de “Ele Não” e entoando palavras de ordem de “Judeus na rua/ Contra a ditadura” e ainda: “Vladimir Herzog, presente! Iara Yavelberg, presente!”, com a música Bella Ciao, ao fundo, o hino dos partisans, os guerrilheiros italianos que se ergueram contra o fascismo e trabalha com imagens do abandono dos mais pobres e dos idosos, enquanto reproduz a fala de Bolsonaro: “Falar que se passa fome no Brasil, é uma grande mentira”.

Segue – ao som da música de Mercedes Sosa, “Solo le pido a Dios”, cantada por ela e Beth Carvalho – e, em meio às cenas de manifestações dos diversos setores da sociedade – negros, índios, imigrantes, integrantes dos grupos LGBTI, descendentes dos torturados, mortos e desaparecidos sob a ditadura – agora sob ataque, para destacar a observação de Zeid Ra’ad Al Hussein, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos de que “Os direitos humanos não são específicos a certos países, eles não são um prêmio por bom comportamento ou particulares de uma certa época ou grupo social. Eles são os direitos de pessoas de todas as cores, de todas as raças e grupos étnicos, de pessoas que tenham ou não deficiências, de cidadãos ou migrantes. Não importa seu sexo, classe social, casta, crença ou orientação sexual”.

ORGANIZAÇÕES PARCEIRAS

Brener chamou, para compor a mesa, Patrícia  Rodrigues antropóloga e representante do Núcleo dos Direitos das Comunidades Indígenas da Comissão de Direitos Humanos da OAB – SP;  Vera Lúcia Vieira, coordenadora do Centro de Estudos de História da América Latina da PUC/SP, representando o Observatório de Violências Policiais e dos Direitos Humanos; Francisvaldo Mendes, presidente da Fundação Lauro Campos e integrante do Observatório da Democracia (que foi formado numa composição das fundações Lauro Campos e Marielle Franco (PSOL); João Mangabeira (PSB); Leonel Brizola e Alberto Pasqualini (PDT); Maurício Grabois (PCdoB) e Fundação Claudio Campos, agora Instituto Claudio Campos (PPL, partido que se incorporou ao PCdoB).

Chamou ainda Patrícia Manaro, advogada e secretária-executiva da Aliança Nacional LGBTI+; André Singer jornalista e cientista político, pela Comissão Arns de Direitos Humanos e Clarisse Goldberg, psicóloga, da coordenação do OJDHB.

É tudo uma questão de perspectiva… Quando as trevas se dispersarem, quando o espasmo reacionário for um episódio no passado, todos vão buscar um lugar confortável na narrativa sobre esses tempos. Aí será o momento de lembrarmos, de contarmos aos que virão onde estava, cada um de nós, durante o tsunami de embrutecimento e loucura que nos acometeu. Eu direi que estava no lançamento da revista do Observatório Judaico dos Direitos Humanos no Brasil junto com quem não se calou quando não podia se calar. É tudo uma questão de tempo e perspectiva. Parabéns pela revista ! Michel Gherman, Instituto Brasil Israel

LIDERANÇAS DA COMUNIDADE JUDAICA PRESENTES

O lançamento contou com uma significativa presença de lideranças da comunidade judaica e ativistas de Direitos Humanos:  Ricardo Berkiensztat, vice-presidente executivo da Federação Israelita de São Paulo;  Alexandre Leco Wahrhaftig, da organização Judeus Pela Democracia-SP; Lucia Chermont, do Instituto Plataforma Brasil e representante da Anne Frank House – Brasil; José Luiz, do Comitê Popular de Santos, Memória, Verdade e Justiça; Marli Condes, do Coletivo Advogados para a Democracia; Rodrigo Sérvulo da Cunha, Comissão de DH da OAB/SP e do Coletivos Advogados Para Democracia; Pérola Lancman, presidente da Associação Cultural Moshe Sharett; Sylvio Band, Centro Cultural 25 de Abril; Marisa Fefferman, Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio; Eliane Almeida, Núcleo Maximiliano Kolbe de Direitos Humanos; Joel Rechtman, jornalista da Tribuna Judaica; Sergio Storch, da Frente Dom Paulo Evaristo Arns e da organização Juventude Progressista Judaica- Juprog; Michel Gherman, do Instituto Brasil Israel e professor da UFRJ; o rabino Alexandre Leone; além de fundadores e ativistas do Observatório.

UNIDADE CONTRA O OBSCURANTISMO E PELA DEMOCRACIA

André Singer destacou que “Com a eleição de Jair Bolsonaro, o problema dos Direitos Humanos e da Democracia se colocou de maneira aguda. No período democrático surgiram milhares de entidades ligadas à defesa dos direitos humanos. A Comissão Arns quer ajudar o encontro destas forças, destas organizações. A ideia é mobilizar toda a sociedade brasileira para conter essa onda avassaladora de barbárie que estamos vivendo hoje”. Falando enquanto judeu, André prosseguiu: “Diante de fatos históricos como a Declaração dos Direitos Humanos que surge depois do sacrifício de tantos judeus, fico consternado de ver setores da comunidade judaica brasileira aplaudindo ações e declarações que vão contra os direitos humanos. Temos que dialogar com a comunidade judaica e mostrar que ela tem responsabilidades, que ela está intrinsecamente ligada a essa questão dos direitos humanos”.

Patrícia Manaro (Aliança LGBTI+) enfatizou: “Vivemos um momento de caos, de degradação dos direitos humanos. Estamos diante de um Executivo que nos nega os direitos. Com a Educação ameaçada pela ‘Lei da Mordaça’”.

Vera, (Observatório de Violências Policiais e dos Direitos Humanos) alertou: “Quanto mais a questão da demanda por segurança for atendida pelos instrumentos de repressão, mas se ampliará a violência estrutural no Estado brasileiro e – ao contrário do que está acontecendo agora -, é necessário que as políticas públicas apontem no sentido de romper este ciclo vicioso de mais violência que atinge as comunidades mais vulneráveis gerando mais violência na nossa sociedade”.

“Percebemos que nós precisávamos aprofundar a nossa unidade”, afirmou Francisvaldo Mendes, do Observatório da Democracia, “porque o ataque aos direitos trabalhistas, aos direitos sociais, aos direitos humanos vai ser muito maior. Decidimos ter como objetivo acompanhar todas as medidas do atual governo, comparando-as com o que está definido na Constituição de 1988, porque essa Constituição foi um marco na construção da democracia brasileira com vários direitos conquistados e com muita participação popular e precisamos defendê-la diante do ataque brutal que nós estamos sofrendo em termos de direitos humanos, sociais, trabalhistas”.

Patrícia Rodrigues, do Núcleo dos Direitos das Comunidades Indígenas, denunciou que “o governo Bolsonaro é representante dos interesses do capital ligado aos latifundiários. Com ele, o Estado voltou a aplicar uma política abertamente orientada ao genocídio da população indígena”.

Diversos ativistas se inscreveram para participar dos debates. Ruth Miranda, do Coletivo RJ, Memória, Verdade e Justiça afirmou que “a verdade é que nós ficamos estupefatos ao ver em ação elementos de extrema direita judaicos apoiando os absurdos que Bolsonaro falou na Hebraica do Rio. Passado o momento de perplexidade, precisamos agir. Já temos retrocessos, a exemplo da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos cuja composição foi trocada, o mesmo com a Comissão de Anistia, agora composta por pessoas que estão contra a Anistia e no ataque ao pai do presidente da OAB, Fernando Santa Cruz, cuja morte nos porões da ditadura foi distorcida por Bolsonaro”.

FOCO NA DENÚNCIA DO MASSACRE

Daniel Shazfran, músico da sinagoga Beth El de São Paulo, destacou que “ao mesmo tempo em que Bolsonaro fala barbaridades como a sugestão de cagar um dia sim, um dia não, três portos foram vendidos a preço de banana. Temos que afunilar as denúncias desenvolver o nosso foco contra esse massacre”.

A REVISTA

A revista Observatório, vem com o manifesto do OJDHB e uma matéria especial “Os primeiros 100 dias do governo Bolsonaro”, de autoria do OJDHB, além de diversas outros artigos, a exemplo de uma entrevista com Ivo Herzog, fundador do Instituto Vladimir Herzog.

Na matéria intitulada “Desastre Total”, Herzog ressalta que “temos agora no governo um grupo de pessoas que têm credos e verdades que vão na direção oposta da evolução humana dos últimos 30 anos”.

A revista também traz uma instigante reflexão sobre “Direitos Humanos e Tradição Judaica”, de autoria do rabino do Beit Midrash, Alexandre Leone.

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