Brasil: murió uno de los principales líderes indígenas de la Amazonía afectado por coronavirus

El principal líder indígena de la ciudad de Manaos, capital del estado brasileño de Amazonas, el cacique Messías Kokama, murió víctima del coronavirus y su comunidad lo despedía sin poder rendirle todos los homenajes que indican sus rituales.

“Perdimos a nuestro líder, un cacique que soñó e idealizó el primer barrio indígena. Hoy nos deja su ejemplo de persistencia y un legado conquistado con lucha y coraje frente a conflictos y obstáculos”, declaró a la prensa la profesora Claudia Baré, también fundadora de esa comunidad en el mayor centro urbano de la Amazonía, según EFE.

Kokama, que falleció el miércoles por problemas, fue uno de los líderes fundadores hace seis años de la Comunidad Parque das Tribus-Tarumá, el primer barrio indígena localizado en Manaos y en el que habitan 3.000 personas de 700 familias provenientes de 35 etnias de todo el estado.

La muerte del cacique fue comunicada por su prima y profesora Altací Robim, quien relató que Kokama permaneció internado durante una semana en el hospital Delphina Aziz después de dar positivo para el COVID-19 en una prueba clínica.

Robim, también portavoz de la Comunidad Parque das Tribus-Tarumá, calcula que en el barrio hay más de cuarenta personas infectadas y que a nivel regional la etnia Kokama, que tiene 14.300 personas en asentamientos, es la más afectada por la propagación del coronavirus en todo el estado.

Varios organismos internacionales y personalidades, entre ellos el fotógrafo Sebastiao Salgado, vienen denunciando que las poblaciones indígenas brasileñas se enfrentan al riesgo de quedar diezmadas por esta pandemia de coronavirus debido a la falta de asistencia del Estado a estos cientos de miles de pobladores originarios.

Hasta el miércoles, la Secretaría Especial de Salud Indígena del Ministerio de Salud había reportado 277 casos confirmados y 19 muertes de indígenas en todo el país. La del cacique supone la primera en Manaos, capital que tenía contabilizados 37 contagios en nativos.

Según el último balance, Brasil sumaba oficialmente 188.974 casos confirmados y 13.149 muertes. El estado de Amazonas, que tiene frontera con Colombia, Perú y Venezuela, ya alcanza 15.816 contagios y 1.160 fallecimientos.

Amazonas tiene trece ciudades entre las veinte con mayor incidencia de la pandemia en el país. El municipio de Santo Antonio do Iça encabeza la lista con 1.241 casos por cada 100.000 habitantes.

La tasa de mortalidad presenta también doce ciudades de Amazonas entre las veinte primeras. El municipio de Tabatinga, en la frontera con Colombia, lidera ese índice en el país con 57,7 muertes por cada 100.000 habitantes.

Télam


Indígenas choram morte do cacique Messias Kokama, do Parque das Tribos

Os indígenas da comunidade Parque das Tribos, no Tarumã, zona oeste de Manaus, onde habitam cerca de 3 mil pessoas de pelo menos 37 etnias, choram hoje a morte do líder e cacique Messias Martins Kokama.

Conforme informações divulgadas por entidade ligada a Messias, ele foi vítima do coronavírus (covid-19). Os kokamas seriam dos habitantes mais atingidos pela doença.

Messias era figura respeitada e querida no meio indígena pela liderança que levou à conquista da área ocupada pelo Parque das Tribos, hoje já consolidada. Desde 2018 a Prefeitura de Manaus realiza obras estruturais e de serviços de água e luz no local.

Hoje essa comunidade indígena é a maior de Manaus e uma das maiores do Brasil, de acordo com o legado deixado pelo cacique kokama.

Transmissão comunitária
É de apreensão o clima no Parque das Tribos com o avanço do coronavírus. Segundo moradores, não há campanha nem assistência direcionadas especificamente para a comunidade, e eles mesmo, ao seu modo, procuram se prevenir do vírus.

Por exemplo, a enfermeira Vanda Ortega, da etnia witoto, grava vídeos de orientação e distribui por grupos em redes sociais.

Conforme disse ao site Amazônia Real, o cacique Messias era um dos seus maiores apoiadores nessa campanha particular dos indígenas porque é cultural a aglomeração, o estar juntos.

Até máscaras Vanda produz, em parceria com moradoras, para distribuir na comunidade.

Outra preocupação no Parque das Tribos é com a sobrevivência das famílias que perderam seus chefes de casa, como é o caso de Messias Kokama.

Identidade na vala comum
Acusam ainda que as vítimas fatais do coronavírus não estão tendo o reconhecimento legal de suas origens étnicas.

De acordo com a jornalista Elaíze Farias, em seu site Amazônia Real, indígenas mortos pelo coronavírus não são registrados à parte nos boletins oficiais do Amazonas.

São quase 3 mil moradores que, portanto, estão excluídos como indígenas que são dos boletins epidemiológicos.

Para Elaíze, isso apaga a identidade indígena e causa revolta entre as etnias.

Por exemplo, dois casos de mortes de indígenas, no Amazonas e no Pará, foram ignorados nas informações oficiais.

Em abril, do município de Itacoatiara, morreu o mura Ozaniel Almeida, e em Alter do Chão, em Santarém (PA), uma indígena borari, a primeira mulher das etnias no Brasil a morrer de coronavírus. Ambos os casos não foram notificados pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), segundo lideranças.

Recentemente, no final de abril, um professor tikuna morreu de coronavírus em Manaus. Seu corpo foi sepultado nas valas comuns e coletivas. Leia como foi.

Além disso, há problema com o atendimento na rede de saúde. Mesmo sendo considerados de alta vulnerabilidade sociocultural, os indígenas disputam o atendimento precário com o restante da população.

Uma indígena de 15 anos dos kokamas do alto rio Solimões, no Amazonas, foi o primeiro caso registrado entre as etnias no Brasil. Foi em 25 de março.

De lá, até hoje, o povo kokama é o mais atingido pelo coronavírus no Amazonas e no país.

As mortes em ascensão
De acordo com a Sesai, até este dia 12 havia o registro de 77 indígenas mortos pelo coronavírus nas 34 etnias que reconhece no país. Desses, 43 foram de habitantes do Amazonas, de nove povos.

Além disso, eram 308 os casos confirmados de contaminados pela doença.

Contudo, como os dados são precários e pouco divulgados, há de se considerar ainda a subnotificação. No Parque das Tribos, por exemplo, existem vários relatos de infectados que não conseguiram atendimento na rede de saúde e resolveram se tratar com a medicina natural dos indígenas.

Pelos dados oficiais do governo, 81 mil indígenas de 230 territórios estão ameaçados pelo coronavírus.

Conforme a Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), as mortes crescem em ritmo assustador. A média é de quatro por dia. “Em pouco mais de uma semana, identificamos mais 49 óbitos de parentes”.

Como resultado de ser a etnia mais atingida, os kokamas detêm o maior número de mortos no Amazonas. De 3 a 7 deste mês, esse índice passou de 9 para 22.

De conformidade com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), seis municípios no Amazonas têm mortes de kokamas.

São eles, além da capital, Tabatinga, Benjamin Constant, Santo Antônio do Içá, Itacoatiara e Autazes.

Os números são divulgados pelo site do El País.

BNC Amazonas