Revelan que el Ejército brasileño realizó un simulacro de guerra en la frontera con Venezuela

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Brasil lanzó cohetes y simuló escenario de guerra en el norte amazónico fronterizo con Venezuela

Por Pablo Giuliano

El Ejército de Brasil realizó un simulacro sin precedentes de una guerra selvática en el estado norteño de Amazonas, fronterizo con Venezuela, que costó 1,1 millones de dólares y que involucró a 3.600 hombres y el lanzamiento de cohetes de artillería con alcance de 80 kilómetros, se informó oficialmente.

La operación se realizó entre el 8 y 22 de septiembre en tres municipios de Amazonas y coincidió con la visita del 18 del mes pasado del secretario de Estado norteamericano, Mike Pompeo, al también amazónico estado de Roraima, cerca de la frontera con Venezuela, para hablar sobre derrocar al presidente venezolano, Nicolás Maduro.

El Ejército reconoció haber realizado la operación en un comunicado enviado al diario O Globo, que accionó a la Ley de Acceso a la Información para determinar cuánto se había gastado en la Operación Amazonia.

El operativo consistió en crear un campo de batalla de un país llamado «Rojo» que invade a «Azul», siendo necesario expulsar a los invasores.

Brasil y Colombia son los principales socios de Estados Unidos en la región y desde sus fronteras se llevó adelante en 2019 un fallido operativo de ingresos de camiones con víveres auspiciado por el líder opositor venezolano Juan Guaidó pero impedido por el Gobierno de Maduro, que lo consideraba un intento de desestabilización.

«Dentro de la situación creada y con los medios de financiación adjudicados, fue la primera vez que ocurrió este tipo de operación», informó el Ejército a O Globo.

Según la información oficial del Ejército, fueron empleados aviones, helicópteros, balsas, ferries, piezas de artillería, sistema de lanzamiento de cohetes Astros, cañones, ametralladoras, obuses y morteros 60, 81 y 120 mm, además de vehículos especiales.

La simulación fue presenciada el 14 de septiembre por el ministro de Defensa, general Fernando Azevedo e Silva, y el jefe del Ejército, Edson Leal Pujol.

El día 15 fueron disparados 20 cohetes en la carretera estatal AM-010.

El Ejército quiere operar lanzadores de cohetes con alcance de 300 kilómetros, según O Globo.

El presidente Jair Bolsonaro acusa a organizaciones no gubernamentales y otras naciones de querer dominar la riqueza de la selva amazónica, de la cual Brasil tiene el 60%.

De las maniobras participaron militares localizados en lugares clave, los de Roraima, en la frontera seca con Venezuela, y los de la triple frontera entre Brasil, Perú y Colombia.

El Ministerio de Defensa posicionó este año a la Amazonia entre sus prioridades frente a posibles conflictos en la región, de acuerdo al Libro Blanco de la Estrategia Nacional de Defensa.

«Fue un ejercicio con tropa en el terreno que simuló una acción convencional en el contexto del amplio espectro de selva. La operación consiste en importante preparación para actividades de las Fuerzas Armadas, de defensa de la soberanía, principalmente en una región con prioridad para Brasil», dijo el Ministerio de Defensa en un comunicado.

El estado de Amazonas, el más grande de Brasil, tiene fronteras con Venezuela, Colombia y Perú.

Télam


Exército fez simulação de guerra próximo à fronteira da Venezuela

O Exército brasileiro gastou R$ 6 milhões somente em combustível, horas de voo e transporte para simular uma guerra entre dois países na Amazônia, numa operação militar inédita, que ainda não havia sido feita no país. Os militares decidiram criar um campo de guerra em que um suposto país “Vermelho” invadiu um país “Azul”, sendo necessário expulsar os invasores.

A simulação ocorreu num momento de animosidade com a vizinha Venezuela, praticamente ao mesmo tempo em que o governo brasileiro decidiu retirar as credenciais dadas aos diplomatas do regime de Nicolás Maduro que atuam no Brasil. A operação envolveu 3,6 mil militares e se concentrou nas cidades de Manacapuru, Moura e Novo Airão, no Amazonas, num raio de 100 a 300 quilômetros de Manaus.

A “guerra” na região amazônica ocorreu entre 8 e 22 de setembro. No dia 18 daquele mês, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, fez uma visita a Roraima, região de fronteira com a Venezuela. O chefe da diplomacia de Donald Trump esteve em Boa Vista — a 840 quilômetros de Manacapuru — e foi ciceroneado pelo chanceler Ernesto Araújo. A visita foi duramente criticada, por ter ocorrido durante a campanha eleitoral em que Trump busca a reeleição, por ter se passado na região de fronteira e por ter emitido um sinal belicoso da relação de EUA e Brasil com a Venezuela.

Lançamento de mísseis

O valor gasto com a chamada Operação Amazônia, que incluiu o lançamento de mísseis com alcance de 80 quilômetros, foi obtido pelo GLOBO por meio da Lei de Acesso à Informação. A lei também foi usada para obter a informação sobre o ineditismo da operação. Antes, o Ministério da Defesa se recusou a fornecer essas informações.

“Dentro da situação criada e com os meios adjudicados, foi a primeira vez que ocorreu este tipo de operação”, informou o Exército à reportagem. Os R$ 6 milhões gastos saíram do Comando de Operações Terrestres (Coter). A Força não informou os outros gastos com a operação, além de combustível, horas de voo e transporte de civis.

“Foram empregados diversos meios militares, tais como viaturas, aeronaves (aviões e helicópteros), balsas, embarcações regionais, ferry-boats, peças de artilharia, o sistema de lançamento de foguetes Astros da artilharia do Exército, canhões, metralhadoras, ‘obuseiro’ Oto Melara e morteiros 60, 81 e 120 mm, além de veículos e caminhões especiais”, afirmou o Exército.

Simulações de conflito e treinamento de militares já haviam sido feitos outras vezes, mas em escala menor, sem o uso de todos esses equipamentos e numa articulação entre Exército, Marinha e Aeronáutica. A reportagem pediu ao Ministério da Defesa e ao Exército, também via Lei de Acesso, informações sobre o tamanho das ações passadas. A Defesa não respondeu, e disse que caberia ao Exército responder. A Força informou que a Operação Amazônia, da forma como foi feita, é inédita.

O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, e o comandante do Exército, Edson Leal Pujol, foram à região do “conflito” no dia 14 de setembro. Eles acompanharam, por exemplo, o disparo de mísseis.

O sistema Astros, com lançadores múltiplos de foguetes, é considerado um projeto estratégico para o Exército. A exemplo de outros projetos, terá mais previsão de recursos no Orçamento de 2021. A proposta de Orçamento enviada ao Congresso prevê R$ 141,9 milhões para esses mísseis em 2021. Neste ano, a previsão é de R$ 120,7 milhões.

Segundo informação do Comando Militar da Amazônia, 20 foguetes foram disparados pela artilharia do Exército no dia 15, na altura do quilômetro 61 da rodovia AM-010. O objetivo foi “neutralizar uma base do Exército oponente”. O Exército diz que trabalha na elaboração de lançadores de foguetes com alcance de 300 quilômetros.

Três dias após a incursão de Azevedo e Pujol na simulação de guerra na Amazônia, Pompeo, o secretário de Trump, visitou Boa Vista ao lado de Araújo. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chamou a visita de de “afronta” à “altivez de nossas políticas externa e de defesa”. O chanceler brasileiro reagiu e disse que Brasil e Estados Unidos “estão na vanguarda da solidariedade ao povo venezuelano”.

A guerra entre “azuis” e “vermelhos” foi causada pela invasão dos “vermelhos” em território “azul”, conforme a simulação feita pelo Exército. Os militares envolvidos atuaram na “libertação” de territórios como as cidades amazonenses de Manacapuru, Moura e Novo Airão. Segundo o Ministério da Defesa, houve ações também em Rondônia.

Não houve ações em Roraima, segundo a pasta. Mesmo assim, a operação contou com a participação de militares que atuam diretamente em regiões de fronteira, como os que estão na brigada de São Gabriel da Cachoeira (cidade do Amazonas na fronteira com Venezuela e Colômbia) e os da brigada de Boa Vista, capital de Roraima, estado que é a principal porta de entrada de refugiados venezuelanos no Brasil.

Participaram da operação as brigadas do Comando Militar da Amazônia, mais o grupo de artilharia de Rondonópolis (MT), o grupo de mísseis e foguetes de Formosa (GO), o comando de operações especiais de Goiânia, a brigada de artilharia antiaérea de Guarujá (SP) e a brigada de infantaria paraquedista do Rio.

Mudança de estratégia

Em agosto, O GLOBO mostrou a mudança da estratégia do governo de Jair Bolsonaro para a atuação das Forças Armadas, com a previsão inédita de uma “rivalidade entre Estados” na esfera regional e uma associação entre essa “rivalidade” e a necessidade de ampliação do orçamento para a Defesa, que chegaria a 2% do PIB nacional. A estratégia aparece em atualizações de documentos oficiais das Forças, as chamadas Política e Estratégia Nacional de Defesa, encaminhadas ao Congresso. Nos documentos, o governo Bolsonaro prevê pela primeira vez a ocorrência de “tensões e conflitos” em áreas vizinhas ao Brasil.

Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério da Defesa diz que a Operação Amazônia foi feita entre 4 e 23 de setembro. O Exército informou que a operação ocorreu entre 8 e 22 de setembro.

Segundo a pasta, “foi um exercício em campanha com tropa no terreno que simulou uma ação convencional no contexto de amplo espectro e em ambiente operacional de selva”. “As ações ocorreram sobre uma imensa área e tiveram como objetivo estratégico elevar a operacionalidade do Comando Militar da Amazônia. A operação consiste em importante preparação para a atividade-fim das Forças Armadas, de defesa da soberania nacional, principalmente em uma região que tem a prioridade do Brasil”, afirmou o ministério.

A reportagem enviou questionamentos ao Itamaraty e à Embaixada dos EUA sobre a visita de Pompeo no mesmo momento da simulação de guerra pelo Exército. Não houve retorno até a noite de terça-feira.

Ricardo Antunes


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