Detuvieron al exministro de Educación de Bolsonaro por corrupción

641

Brasil: detuvieron al exministro de Educación de Bolsonaro

Por Eric Nepomuceno

El pasado mes de marzo el ultraderechista presidente Jair Bolsonaro se refirió a su entonces ministro de Educación, el pastor presbiterano Milton Ribeiro, blanco de acusaciones de corrupción. Dijo que confiaba plenamente en su honestidad. Y en un arrebato soltó una frase que se quedó marcada en la memoria de millones de brasileños: “Pongo por él mi cara en el fuego”.

Superando un dicho tradicional – “pongo mi mano en el fuego” – el mandatario quiso, de esa manera, declarar su confianza irreductible en el sospechoso. Que, a propósito, días después pidió que dejara el cargo.

Bueno: en la mañana de ayer Milton Ribeiro fue detenido por la Policía Federal. Y con él, otro autodenominado pastor, Gilmar Santos, íntimo amigo de la familia presidencial. El también evangelista Arilton Moura era buscado por la policía.

Las acusaciones contra Ribeiro se sostenían en declaraciones de alcaldes que, para lograr liberar presupuestos para sus municipios, eran “invitados” a comprar miles de biblias con la foto del ministro. Se trataba de recursos del Fondo Nacional para el Desarrollo Educacional.

Al menos un alcalde relató el pedido de uno de los autodenominados pastores incrustados en el ministerio de Educación: para liberar el presupuesto aprobado, sería necesario entregar nada menos que diez mil dólares en monedas de oro.

Nada de eso convenció a Bolsonaro para que constatara lo que estaba más que evidente: un grupo de evangelistas transformó el ministerio de Educación en un robusto balcón de negocios.

La prisión de Milton Ribeiro significa algo más que un duro golpe contra el discurso de Bolsonaro asegurando que en su gobierno no hay corrupción. Es, en realidad, una amenaza latente: cuando era ministro, Ribeiro aseguró que recibía a los pastores a pedido directo del presidente. Los mismos pastores involucrados en corrupción.

Si ahora reitera lo declarado, el foco de sospecha recaerá directamente sobre el presidente y entrará en el nutrido rol de acusaciones que tendrá que responder en la Justicia cuando termine su mandato presidencial y se anule la inmunidad que el cargo le garante.

Los aliados más allegados de Bolsonaro admitieron, con todas las letras, que la prisión de Milton Ribeiro ha sido “un desastre”.

La primera reacción del presidente fue afirmar, de manera tímida, que sigue confiando en su exministro, pero que la policía sabrá qué hacer. La segunda fue impedir la entrada de periodistas a un evento en el que habían sido invitados.

Página 12


PF prende ex-ministro Milton Ribeiro e pastores investigados por suposto esquema de desvio de verbas na Educação

A Polícia Federal prendeu na manhã desta quarta-feira (22) o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e outras quatro pessoas. Ribeiro é investigado por corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência por suposto envolvimento em um esquema para liberação de verbas do MEC.

Os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura também foram presos pela PF nesta quarta. Eles são investigados por atuar informalmente junto a prefeitos para a liberação, por meio de concessão de propina, de recursos do Ministério da Educação. Os outros dois presos são Helder Bartolomeu, ex-assessor da Prefeitura de Goiânia, e Luciano Freitas Musse, ex-assessor de Milton Ribeiro no Ministério da Educação.

Milton Ribeiro foi preso em Santos e deve ser levado para Brasília. Segundo o porteiro do prédio em que ele mora, o ex-ministro foi levado por volta das 7h.

O advogado Daniel Bialski, que representa Milton Ribeiro, disse que não vê “motivo concreto” para a prisão do ex-ministro da Educação. A defesa do pastor Arilton Moura informou que vai se pronunciar somente nos autos do processo. A TV Globo não teve resposta da defesa do pastor Gilmar Santos.

Em áudio divulgado em março, Ribeiro afirma que o presidente Jair Bolsonaro pediu a ele que os municípios indicados pelos dois pastores recebessem prioridade na liberação de recursos. Prefeitos disseram em depoimento que eles exigiram propina.

Os policiais federais também fizeram buscas em endereços ligados aos investigados. Outro alvo de mandado de busca foi a sede do Ministério da Educação, em Brasília.

Investigação

A PF investiga Ribeiro por suposto favorecimento aos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura e a atuação informal deles na liberação de recursos do ministério. Há suspeita de cobrança de propina.

O inquérito foi aberto após o jornal “O Estado de S. Paulo” revelar, em março, a existência de um “gabinete paralelo” dentro do MEC controlado pelos pastores.

Dias depois, o jornal “Folha de S.Paulo” divulgou um áudio de uma reunião em que Ribeiro afirmou que, a pedido de Bolsonaro, repassava verbas para municípios indicados pelo pastor Gilmar Silva.

“Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar”, disse o ministro no áudio.

“Porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar”, complementou Ribeiro.

Após a revelação do áudio, Ribeiro deixou o comando do Ministério da Educação.

Em depoimento à PF no final de março, Ribeiro confirmou que recebeu o pastor Gilmar à pedido o presidente Jair Bolsonaro. No entanto, ele negou que tenha ocorrido qualquer tipo favorecimento.

Registros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) apontam dezenas de acessos dos dois pastores a gabinetes do Palácio do Planalto.

Em vídeo, o presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer que botava “a cara no fogo” por Ribeiro e que as denúncias contra o ex-ministro eram “covardia”.

Já nesta quarta, questionado sobre a prisão do ex-ministro pela PF, Bolsonaro afirmou que Ribeiro é quem deve responder por eventuais irregularidades à frente do MEC.

“Ele responde pelos atos dele”, afirmou Bolsonaro em entrevista à rádio Itatiaia. O presidente disse ainda que “se a PF prendeu, tem motivo.”

O caso envolve suspeitas de corrupção. Prefeitos denunciaram pedidos de propina – em dinheiro e em ouro – em troca da liberação de recursos para os municípios. Milton Ribeiro disse que pediu apuração dessas denúncia à Controladoria-Geral da União.

Tráfico de influência

De acordo com apuração da TV Globo, a operação deflagrada nesta quarta investiga a prática de tráfico de influência e corrupção na liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), ligado ao Ministério da Educação.

Foram cumpridos cinco mandados de prisão e 13 de busca e apreensão nos estados de Goiás, São Paulo, Pará e Distrito Federal.

O g1 ligou por volta das 8h para um telefone de Gilmar Santos, mas o número estava desligado.

G1

Más notas sobre el tema