La Cámara de Diputados conformó una comisión especial para analizar la reducción de la edad de responsabilidad penal
Cámara de Brasil instala comisión sobre edad de responsabilidad penal
La Cámara de Diputados de Brasil instalará hoy una comisión especial para analizar una Propuesta de Enmienda Constitucional (PEC) que plantea reducir de 18 a 16 años la edad de responsabilidad penal.
El presidente de la Cámara, Hugo Motta, formalizó este martes 11 de agosto la creación del grupo parlamentario, cuya reunión de instalación y elección de sus integrantes está prevista para las 14:00, hora local, de este miércoles.
La comisión analizará la PEC 32/2015, presentada originalmente en 2015 por el entonces diputado Gonzaga Patriota, y otras dos propuestas anexadas durante su tramitación.
El texto principal propone modificar la Constitución para establecer en 16 años la edad de responsabilidad penal. Actualmente, el artículo 228 de la Carta Magna determina que son penalmente inimputables los menores de 18 años, quienes quedan sujetos a una legislación especial.
La admisibilidad de la PEC fue aprobada por la Comisión de Constitución y Justicia de la Cámara el pasado 10 de junio, con 44 votos favorables y 18 contrarios.
El diputado Aluísio Mendes, del partido Republicanos, fue nombrado para presidir la comisión, mientras el legislador Mendonça Filho, del Partido Liberal, ejercerá como relator.
Tras la instalación del grupo, los parlamentarios dispondrán inicialmente de 10 sesiones del pleno para presentar enmiendas al texto y, después de ese período, el informe del relator podrá ser sometido a votación.
La comisión tendrá un plazo máximo de 40 sesiones para analizar y votar la propuesta. Si el análisis no concluye dentro de ese periodo, el presidente de la Cámara podría eventualmente decidir llevar el asunto directamente al pleno.
Según el texto en discusión, la iniciativa legislativa establece que las personas a partir de los 16 años podrían responder penalmente por sus actos y quedar sujetas al sistema penitenciario común.
Actualmente, adolescentes que cometen actos infractores están sometidos a medidas socioeducativas previstas por el Estatuto de la Niñez y la Adolescencia, entre ellas internación, internación provisional, semilibertad e internación-sanción.
La reducción de la edad de responsabilidad penal es defendida por sectores de la derecha brasileña y vuelve al centro de la agenda legislativa en un año electoral, cuando la seguridad pública figura entre los temas de mayor atención política.
Ayer, la Sociedad Brasileña de Pediatría manifestó su oposición a la PEC, al señalar que los menores de 18 años son responsables solo de entre 0,5 y dos por ciento de los homicidios o delitos considerados atroces, mientras los adultos responderían por entre 98 y 99,5 por ciento de esos crímenes.
Además, la entidad sostuvo que no existe evidencia científica consistente de que reducir la edad de responsabilidad penal contribuya a disminuir la criminalidad juvenil y recordó que niños y adolescentes figuran también entre las principales víctimas de la violencia en Brasil.
Pediatras se manifestam contrários à redução da maioridade penal
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) manifestou posicionamento contrário à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 32/2015, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados em junho e segue em tramitação no Congresso Nacional.
Em nota, a entidade alerta que a PEC propõe alterar a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) sob o argumento de uma importante participação de adolescentes em crimes com morte.
“No entanto, conforme indicam os dados, crianças e adolescentes (com menos de 18 anos) são responsáveis por cerca de 0,5% a 2% dos homicídios ou dos crimes hediondos, a depender da metodologia utilizada, enquanto os adultos são responsáveis por cerca de 98% a 99,5%”, detalha a nota.
Ainda segundo a SBP, não há “evidência científica consistente” indicando que reduzir a idade penal diminua a criminalidade juvenil.
“Nenhum país com essa experiência apresenta dados validados sobre diminuição de taxas, isto é, que a redução da idade penal diminuiu os crimes em termos percentuais”, destaca o texto.
A nota cita também que a literatura científica atual não permite afirmar que países que adotaram a redução da maioridade penal registraram queda mensurável em crimes cometidos por adolescentes. “Em alguns casos, o efeito foi nulo e, em outros, houve até aumento da reincidência”.
Em contrapartida, os pediatras destacam que adolescentes estão entre as maiores vítimas de violência e de crimes com mortes no país. Dados apresentados dão conta de que, entre 2016 e 2020, 35 mil crianças e adolescentes de até 19 anos foram mortos de forma violenta no Brasil – uma média de sete mil óbitos por ano.
“Na avaliação da SBP, é preciso fazer cumprir os artigos 227 da Constituição Federal e 4º do ECA que determinam como dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, a efetivação dos seus direitos, a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”
Próximas etapas
Após a aprovação da Comissão de Constituição e Justiça, a proposta que reduz a maioridade penal não segue diretamente para votação definitiva. O texto ainda precisa ser analisado por uma comissão especial temporária, que debaterá o mérito da questão.
Caso aprovado nesta comissão, ele vai para votação em dois turnos no plenário da Câmara dos Deputados, onde exige o apoio mínimo de três quintos (308 dos 513 parlamentares), em dois turnos de votação. Se aprovada nessas etapas, a matéria segue para o Senado Federal, onde passará por rito semelhante.
