Brasil | Flávio Bolsonaro se refugia en Estados Unidos y se autoproclama “el verdadero presidente electo”

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Flávio Bolsonaro se refugia en EE. UU. y se autoproclama presidente de Brasil

Tras su llegada a territorio norteamericano, el excandidato publicó un manifiesto en el que desconoce los resultados electorales, se autodeclara como «el verdadero presidente electo» de la nación e instiga a la movilización de sus seguidores.

Luego de perder las elecciones presidenciales de 2026 frente a Luiz Inácio Lula da Silva por un margen de 4,4 millones de votos, el senador Flávio Bolsonaro (PL) abandonó Brasil con destino a Estados Unidos.

Tras su llegada a territorio norteamericano, el excandidato publicó un manifiesto en el que desconoce los resultados electorales, se autodeclara como «el verdadero presidente electo» de la nación e instiga a la movilización de sus seguidores.

El movimiento del parlamentario inserta su figura en la tradición de articulaciones de la extrema derecha latinoamericana que utilizan a Estados Unidos como plataforma de presión internacional, sumándose a otros aliados y familiares en el exterior.

En su misiva —cuya versión inicial exhibía el antiguo escudo de armas de los «Estados Unidos de Brasil» antes de ser corregida al inglés (Brazil)— Flávio Bolsonaro califica al actual gobierno de «régimen» y denuncia un supuesto fraude electoral; como presunta prueba, señala la decisión judicial que extendió el cierre de las urnas de las 17:00 a las 19:00 horas.

Sin embargo, los datos oficiales indican que solo se registraron 34.300 votos tras el horario habitual, una cifra insuficiente para alterar el resultado general.

Asimismo, el senador omite que su propia campaña solicitó dicha prórroga y que enfrenta investigaciones judiciales en Brasil por presuntos financiamientos irregulares y retención preventiva de pasaportes.

Al proclamarse mandatario legítimo, el senador no solo contradice a su propio partido, el Partido Liberal (PL) —que reconoció formalmente los resultados de los comicios—, sino que replica la táctica empleada en su momento por el opositor venezolano Juan Guaidó.

El traslado de Flávio Bolsonaro a Florida se suma al antecedente de su padre, Jair Bolsonaro, quien viajó a dicho estado a finales de 2022 tras su derrota electoral.

En Estados Unidos también se encuentran figuras afines como su hermano Eduardo Bolsonaro, el influyente Paulo Figueiredo y el exdirector de la Abin, Alexandre Ramagem, procesados o investigados por delitos vinculados a tentativas contra las instituciones democráticas brasileñas.

Por su parte, el presidente estadounidense Donald Trump confirmó haber facilitado el ingreso del senador y su familia mediante el otorgamiento de visas a través del Departamento de Estado.

La victoria de Lula interrumpe una racha de nueve victorias electorales de candidatos de derecha impulsados o respaldados por la administración de Trump en la región, entre ellas los comicios legislativos en Argentina en 2025.

TELESUR


Em carta golpista, Flávio agradece Milei e Trump por apoio para fuga

Senador chegou a se declarar «verdadeiro presidente eleito».

Após fugir do Brasil para os Estados Unidos, o candidato derrotado na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), divulgou uma carta em que agradece aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo apoio recebido para sair do país.

Em uma primeira versão da carta golpista, o senador se declarava o «verdadeiro presidente eleito do país». Meia hora depois, o termo foi alterado para «líder do Brasil».

No documento, o candidato derrotado afirma, sem provas, que a eleição brasileira foi fraudada e critica a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin de estender o prazo de votação até as 19h. Zanin atendeu a pedido das campanhas do PL e do PT.

Flávio Bolsonaro foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições para a Presidência da República. No pleito, realizado no último domingo (25), Lula obteve 64 milhões de votos. Já Flávio ficou com pouco mais de 59 milhões de votos. As duas horas de extensão no horário de votação computaram apenas 34.393 votos. Cerca de 158,7 milhões de eleitores brasileiros estavam aptos a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas”, reclamou.

As afirmações de Flávio contrariam a apuração e o reconhecimento do pleito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As eleições no Brasil tiveram ainda o reconhecimento da Organização dos Estados Americanos (OEA) e de líderes de diversos países de diferentes continentes. O PL, partido de Flávio, também reconheceu a vitória de Lula nas urnas.

Na carta, Flávio criticou ainda a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes que o proibiu de deixar o país e determinou a entrega de seus passaportes pessoal e diplomático. Moraes expediu a ordem judicial de apreensão dos passaportes a pedido da Polícia Federal (PF), que apontou riscos de o senador fugir do país em meio a investigações contra ele sobre casos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no Supremo. Em um deles, é suspeito, ao lado do advogado Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de bets. Ele também é alvo de outro inquérito que investiga o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai.

No comunicado distribuído à imprensa por sua assessoria, Flávio diz ainda que vai liderar a oposição a partir dos Estados Unidos e que correrá os riscos que os parlamentares eleitos do PL não poderão correr.

«Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr», diz.

A primeira versão da carta trazia um brasão da República com a palavra «Brazil», escrita com «z», em vez de Brasil, com «s». No lugar de República Federativa do Brasil, o símbolo trazia a denominação “Estados Unidos do Brazil”, nome que deixou de ser usado em março de 1967.

O senador chegou a Miami, nos Estados Unidos, com a mulher e as duas filhas na manhã desta quarta-feira (28), após um dia de incertezas sobre o seu paradeiro. Eles cruzaram a fronteira com a Argentina às 22h50 de terça-feira (27) por meio da Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu, cidade que faz fronteira com a argentina Puerto Iguazú. Às 23h30, a família embarcou em um avião privado rumo a Guayaquil, no Equador. De lá, eles foram para os Estados Unidos.

Irmão nos EUA

Irmão mais novo de Flávio, Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde março de 2025. Poucos dias antes do segundo turno, ele chegou a falar em entrevista que Flávio deveria deixar o Brasil, caso perdesse as eleições.

Eduardo foi condenado pelo STF por ter articulado o tarifaço aplicado pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil, em julho de 2025. O intuito era impedir o julgamento do seu pai, Jair Bolsonaro. O ex-presidente foi condenado, meses mais tarde, a 27 anos de prisão por golpe de Estado.

Democratas

Na manhã de hoje (28), o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos criticou a decisão do governo de Donald Trump de conceder visto ao senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Nas redes sociais, o comitê, ligado aos democratas, fez um comparativo entre a atual política migratória estadunidense aplicada a pessoas que fogem de conflitos e o tratamento concedido a Flávio e à família Bolsonaro.

“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, diz o post do comitê no X.

Declarações

A respeito da carta do senador, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) alertou que a reprodução de declarações sem a devida contextualização pode contribuir para a desinformação.

«Alguns veículos de imprensa reproduziram, nesta quarta-feira, 28 de outubro, declarações de Flávio Bolsonaro que questionavam a lisura do processo eleitoral brasileiro. Parte desse material, porém, deixou de contextualizar que negociar com governos, ou grupos estrangeiros para provocar desestabilização nacional ou invasão do território, pode configurar crime, conforme as circunstâncias e o enquadramento legal», diz a nota.

«O papel do jornalismo não é apenas repercutir falas, mas oferecer à sociedade informações verificadas, contextualizadas e precisas», acrescenta.

AGENCIA BRASIL


 

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