Condenan a los primeros empresarios involucrados en corrupción de Petrobras

Justiça condena primeiros executivos de empreiteiras na Lava Jato

A Justiça Federal condenou, nesta segunda-feira (20), réus ligados à empreiteira Camargo Corrêa por crimes cometidos em contratos com a Petrobras. É a primeira sentença da Operação Lava Jato contra executivos de construtoras. Seis pessoas foram condenadas, entre elas o ex-presidente e o ex-vice presidente da construtora Camargo Corrêa: Dalton Avancini e Eduardo Leite.

De acordo com a sentença, a origem das condenações está no superfaturamento e no pagamento de propina em obras de duas refinarias da Petrobras, entre 2009 e 2013. O total de propina pago pela construtora nas duas obras, segundo o juiz Sérgio Moro, passou de R$ 50 milhões.

Na época, a diretoria de abastecimento da Petrobras era comandada por Paulo Roberto Costa.
Por meio de contratos de prestação de serviços de fachada, o dinheiro ilegal era lavado e distribuído pelo doleiro Alberto Youssef e pelo ex-policial federal Jayme de Oliveira.

Quatro condenados fizeram acordo de delação premiada: Dalton Avancini, Eduardo Leite, Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef. Por isso, foram beneficiados com redução nas penas. Avancini e Leite foram condenados a 15 anos. Eles vão continuar em prisão domiciliar e, a partir de março do ano que vem, passarão para o regime semiaberto.

Paulo Roberto Costa segue em prisão domiciliar até outubro e depois passa para o semiaberto.
Alberto Youssef ficará preso, em regime fechado por mais um ano e sete meses.

Já João Ricardo Auler, o ex-presidente do conselho de administração da Camargo Corrêa, foi condenado a nove anos e seis meses de prisão.

O ex-policial Jayme Alves de Oliveira pegou 11 anos e 10 meses.

Eles terão que devolver os R$ 50 milhões a Petrobras.

O juiz Sérgio Moro recomendou, na sentença, que a Camargo Corrêa faça um acordo de leniência com a Controladoria Geral da União para que a empresa continuasse a celebrar contratos com o poder público.

Nesta segunda, a Polícia Federal concluiu o inquérito envolvendo a construtora Odebrecht e pediu o indiciamento de oito pessoas, entre elas o presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht.

No domingo (19), nove pessoas já tinham sido indiciadas no inquérito relacionado à construtora Andrade Gutierrez. Entre os indiciados, está o presidente da empreiteira, Otávio Marques de Azevedo.

A Camargo Corrêa declarou que está à disposição das autoridades e que se esforça para identificar irregularidades.

Dalton Avancini, Eduardo Leite e Paulo Roberto Costa disseram que as condenações estão dentro do esperado no acordo de delação premiada.

Alberto Youssef declarou que o juiz reconheceu a efetividade da colaboração.

João Ricardo Auler e Jayme Alves vão recorrer da sentença.

A Odebrecht afirmou que o indiciamento não tem fundamento sólido.

A Andrade Gutierrez disse que não existem fundamentos que justifiquem a prisão e o indiciamento de seus executivos ou ex-executivos.

O Globo