Em SP, forte aparato policial barra ato na porta de Temer. Domingo tem mais protesto

Forte aparato policial impediu que 15 mil pessoas chegassem à residência do presidente Michel Temer, no Alto de Pinheiros, na noite de ontem (8). O grupo, que saiu do Largo da Batata, a três quilômetros de distância, por volta das 19h, protestou contra o golpe, a retirada de direitos inserida nas propostas do governo e pediu eleições Diretas Já. O ato, organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, terminou às 21h, nos arredores da casa de Temer, com a convocação de nova manifestação no domingo (14), às 14h, na Avenida Paulista.

“Eles acharam que a maioria do povo ia aceitar a legitimidade de um Congresso corrupto que votou o impeachment. Uma coisa é ter governabilidade no Congresso, outra coisa é ter governabilidade nas ruas. Isso o Temer não tem, e não vai ter nunca”, disse Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), ressaltando que as organizações estão nas ruas há dez dias e, “desde a consumação do golpe, as manifestações se intensificam”.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, disse que o golpe é contra os trabalhadores, as mulheres, a juventude e a população LGBT, e que na próxima semana ocorrerão votações importantes relacionadas à proposta de terceirização irrestrita, defendida pelo governo, bem como a flexibilização das regras do pré-sal. Para detê-las, segundo ele, é preciso ocupar Brasília. Ele afirmou que outras mobilizações como essa seguirão ocorrendo, mas que é preciso parar esse país, se referindo à proposta de greve geral no próximo dia 22.

Vagner lembrou que na segunda-feira (12) será realizada a sessão para votar a cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que renunciou à presidência da Câmara. “Vamos a Brasília impedir o saqueamento do povo brasileiro”, avisou.

A PM já havia informado que não permitiria a aproximação, e colocou barreiras nas ruas próximas à residência, fortemente guardada por policiais. Eles se concentraram por cerca de 40 minutos em um bloqueio na Rua Massacá, onde gritaram palavras de ordem, e prometeram retornar.

“A casa grande hoje está tremendo, porque a senzala veio fazer uma visita. Temer, seus dias estão contados, golpista”, disse Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares (CMP). O ativista defendeu que é preciso combinar o ‘Fora, Temer’ com o ‘Fora, Alckmin’. Segundo ele, o governador é o responsável pela repressão violenta dos últimos protestos. E prometeu: “Na próxima, não vamos vir conversar. Vamos na casa do golpista botar ele para correr”.

O ex-senador e candidato a vereador Eduardo Suplicy (PT) disse que a cada semana aumenta a insatisfação popular com a decisão tomada pelo Senado de afastar a presidenta Dilma Rousseff, e recomendou que Temer e o Senado estabeleçam uma consulta à população.

A proposta de Suplicy é para que a consulta pública ocorra com as eleições municipais, em outubro, cabendo ao povo se manifestar pela permanência ou não de Temer na presidência. Se rejeitado, Temer deveria convocar novas eleições livres e diretas até dezembro. De acordo com a Constituição Federal, se o presidente for afastado nos dois últimos anos de mandato, a eleição para o cargo se daria de forma indireta.

Rede Brasil Atual


MST ocupa Incra em Minas Gerais e cobra novos assentamentos no estado

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terras (MST) ocupou ontem (8) a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Belo Horizonte. Cerca de 300 pessoas vão dormir no local e não tem data para sair. A mobilização é parte da Jornada de Lutas Unitárias e se soma a outras ações feitas no país, como a ocupação do Ministério do Planejamento.

A Jornada de Lutas Unitárias é uma iniciativa de movimentos agrários que reivindicam o assentamento imediato das mais de 120 mil famílias acampadas em todo o país. Além disso, eles protestam contra a venda de terras a estrangeiros . Em julho, alguns órgãos de imprensa veicularam que o governo federal planejava permitir, sob alguns critérios, a aquisição de terra para quem não tem nacionalidade brasileira. Para isso, seria necessário rever um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU). Em 2010, ao analisar a Lei 5.709/1971, a AGU considerou ser proibida a posse de terras por estrangeiros.

Cadastramento parado

Segundo Ester Hoffmann, representante da direção nacional do MST, a jornada também lembra que desde abril todo o sistema de cadastramento das famílias está travado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A situação impede a aplicação de políticas relacionadas aos assentados e acampados. Ela também critica ações do governo de Michel Temer, que estaria esvaziando a pauta da reforma agrária e preparando políticas que beneficiam o agronegócio.

A ocupação tem ainda uma pauta regional. O MST cobra novos assentamentos em Minas Gerais. Os sem-terras pedem também a regularização da documentação de diversas famílias assentadas e a implantação de estruturas básicas nos assentamentos, incluindo acesso à água, energia, habitação, estradas, assistência técnica e agroindustrialização.

Nesta tarde, a Superintendência Regional do Incra em Minas Gerais recebeu os manifestantes. Segundo Ester Hoffmann, houve algumas sinalizações positivas. “Foi prometido um planejamento de vistorias no estado em locais onde há áreas que podem ser utilizadas na reforma agrária”. Ela disse que também foi apresentada a possibilidade de ser celebrado um convênio de assistência técnica com Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG). A líder do MST disse que foram agendadas novas reuniões com as divisões internas do Incra para ir acompanhando o desenvolvimento destas medidas.

Em nota, o Incra confirmou a reunião, mas informou que “aguarda a desocupação da unidade, condição essencial para analisar a pauta e responder as reivindicações apresentadas”. O órgão ressaltou que a saída dos manifestantes é fundamental para assegurar a retomada das atividades e a prestação de serviços à sociedade. O MST, porém, não fixou data para a desocupação.

EBC


Bancários seguem em greve e negociam nesta sexta-feira com Fenaban

A greve dos bancários, que começou há dois dias, continua nesta quinta-feira (8) em todo o país. Nesta sexta-feira (9), em São Paulo, haverá uma reunião entre a categoria e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para novas negociações.

Entre as principais reivindicações da categoria estão reajuste salarial de 14,78%, sendo 5% de aumento real, com inflação de 9,31%; participação nos lucros e resultados de três salários mais R$ 8.297,61; piso salarial de R$ 3.940,24; vales-alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá no valor do salário-mínimo nacional (R$ 880); 14º salário; fim das metas abusivas e assédio moral; fim das demissões, ampliação das contratações, combate às terceirizações e à precarização das condições de trabalho; mais segurança nas agências bancárias e auxílio-educação.

Até agora, a proposta dos bancos foi de 6,5% de reajuste com R$ 3 mil de abono para os trabalhadores.

Jornal do Brasil