Brasil | El Gobierno anuncia medidas de reciprocidad comercial contra EEUU en respuesta a los aranceles fijados por Washington
Brasil inicia proceso de reciprocidad ante aranceles impuestos por EE.UU.
El Gobierno de Brasil anunció este jueves el inicio de un proceso administrativo para aplicar medidas de reciprocidad comercial contra Estados Unidos, en respuesta a los aranceles adicionales de entre el 12,5 % y el 25 % fijados por Washington sobre diversos productos del país suramericano bajo acusaciones de prácticas desleales y trabajo forzoso.
La respuesta gubernamental se fundamenta en la Ley de Reciprocidad Económica, aprobada por unanimidad por el Congreso Nacional y sancionada en 2025 por el presidente Luiz Inácio Lula da Silva, normativa que permite adoptar contramedidas frente a barreras comerciales, legales o políticas impuestas por otros países o bloques.
🚨 EE.UU. eleva aranceles contra Brasil al 37,5 por ciento
🔴 Estados Unidos impuso un nuevo arancel del 12,5 por ciento sobre unos 3.000 productos brasileños, que se acumula al 25 por ciento que ya regía desde el miércoles. La medida afecta exportaciones por 12.500 millones de… pic.twitter.com/dF5bZj8cN3
— teleSUR TV (@teleSURtv) July 24, 2026
Mediante una nota citada por medios locales de prensa, el Ejecutivo comunicó el análisis para determinar si las medidas unilaterales estadounidenses, adoptadas bajo la Sección 301 de la legislación comercial de ese país, se ajustan a los supuestos de la ley brasileña. La apertura del procedimiento no implica la aplicación inmediata de nuevos aranceles a Estados Unidos, según precisó el portal Metrópoles.
Consultas diplomáticas y vía multilateral
A la par de este procedimiento, el Ministerio de Relaciones Exteriores brasileño notificó al Gobierno estadounidense la solicitud de consultas diplomáticas, «cuyo objetivo es mitigar o anular los efectos de las medidas y contramedidas previstas en la ley». El Ejecutivo remarcó que estas conversaciones refuerzan la voluntad del país de priorizar el diálogo y la negociación en sus relaciones internacionales.
Brasilia señaló que durante las investigaciones promovidas por la Oficina del Representante Comercial de Estados Unidos presentó argumentos, evidencias y «pruebas que refutan cada una de las alegaciones sobre supuestas prácticas comerciales desleales» utilizadas para fundamentar los gravámenes.
«Los aranceles estadounidenses son injustificados y arbitrarios, y Brasil seguirá defendiendo su postura en todas las instancias pertinentes. El Gobierno de Brasil seguirá actuando para reducir los daños que los aranceles de Estados Unidos causan a la economía y a los ingresos de los brasileños», afirma la nota oficial.
Esta decisión se suma a la estrategia multilateral de Brasil. Esta semana, Estados Unidos aceptó la solicitud brasileña de consultas ante la Organización Mundial del Comercio (OMC) sobre dos tarifas distintas: un arancel del 25 % justificado por supuestas prácticas económicas desleales y otro del 12,5 % vinculado a la presunta falta de fiscalización de productos elaborados con trabajo forzoso.
La administración de Lula sostiene que ambas medidas son discriminatorias, unilaterales y violan los compromisos estadounidenses en la OMC.
Denuncia de injerencia política
El conflicto diplomático entre ambos países se profundizó la semana pasada con la retirada del visado a la embajadora brasileña en Washington por parte del Gobierno de Donald Trump, decisión justificada por la Casa Blanca ante supuestas demoras de Brasil en otorgar el beneplácito al nuevo embajador designado para la nación suramericana.
El Gobierno brasileño sostiene que tanto los gravámenes comerciales como la revocación del visado a la diplomática constituyen sanciones con motivaciones políticas para interferir en las elecciones presidenciales de Brasil del próximo octubre.
Governo Lula dá início a processo de reciprocidade contra os Estados Unidos
POR WENDAL CARMO
O governo Lula (PT) informou ter dado início, nesta quinta-feira 13, ao processo para aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, em resposta às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.
Trata-se de uma etapa formal prevista na legislação e não significa, por ora, que o Brasil tenha decidido aplicar tarifas ou outras contramedidas contra os norte-americanos.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que o governo iniciou a análise do pedido de enquadramento das medidas adotadas pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Segundo o comunicado, as consultas têm como objetivo buscar uma solução negociada antes da eventual adoção de medidas de retaliação.
“As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais”, diz a nota.
O governo afirma ainda que atuou durante a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos para contestar as acusações de práticas comerciais desleais atribuídas ao Brasil. “As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis”, afirmou.
A Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada por Lula em 2025, permite ao governo brasileiro adotar medidas proporcionais contra países que imponham restrições ou tarifas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do Brasil.
Entre as possibilidades estão restrições à importação de bens e serviços e a suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações relacionadas à propriedade intelectual.
O rito, porém, prevê consultas a setores interessados e análises sobre os impactos econômicos das eventuais contramedidas. O processo pode levar meses, e medidas provisórias podem ser adotadas enquanto a análise definitiva estiver em curso. Uma resposta mais enérgica encontra resistência em setores empresariais.
A decisão de abrir o processo ocorreu após uma reunião de Lula com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim.
A iniciativa ocorre em paralelo à disputa do Brasil com Washington na Organização Mundial do Comércio em razão do tarifaço. Nesta semana, os Estados Unidos aceitaram o pedido brasileiro para a realização de consultas sobre as tarifas.
Brasília questiona na organização duas medidas adotadas por Trump: uma tarifa de 25% relacionada a uma investigação da Seção 301 e outra de 12,5% vinculada a acusações de falhas na fiscalização de produtos associados a trabalho forçado.
“Seguiremos trabalhando pela diversificação de parcerias comerciais e abertura de novos mercados para nossos produtos. Manteremos medidas de proteção aos setores afetados pelas tarifas por meio do Plano Brasil Soberano, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional”, conclui a nota do Palácio do Planalto.
De acordo com interlocutores do governo, a abertura do processo é, neste momento, mais um movimento de pressão do que um passo para uma retaliação imediata. A estratégia é ganhar margem de negociação com os EUA enquanto o Planalto tenta reduzir a resistência de setores empresariais à aplicação da reciprocidade.
