Brasil propondrá a Argentina liberar el comercio bilateral en el sector automotriz, bajo un modelo ya en vigor con Uruguay y que podría ampliarse a todo el Mercosur, anunció el ministro de Industria y Comercio brasileño, Armando Monteiro.

“Las condiciones están dadas” para un acuerdo de esa naturaleza, dijo Monteiro al diario O Estado de Sao Paulo, que en su edición de este martes adelanta que la propuesta será presentada por el propio ministro en una reunión que se celebrará en Buenos Aires el próximo jueves.

El acuerdo que estableció el libre comercio automotor con Uruguay fue firmado en Brasilia en diciembre pasado y, según Monteiro, es un “marco” que debería ampliarse a todo el Mercosur, bloque que ambos países integran junto con Argentina, Paraguay y Venezuela.

“Debemos caminar hacia el libre comercio en el sector automotor dentro del Mercosur”, a fin de “mejorar el acceso a los mercados” del propio bloque, declaró Monteiro.

El comercio entre Argentina y Brasil en el sector automotor, que representa casi el 45 % del intercambio bilateral, está regulado por un acuerdo renovado a mediados del año pasado, que vencerá en junio próximo y limita el intercambio entre ambos países.

La posibilidad de liberar el comercio automotor con Argentina se negocia desde hace unos meses y, según fuentes oficiales brasileñas, ha cobrado más fuerza desde diciembre pasado, cuando asumió Mauricio Macri.

Hace dos semanas el presidente de la Asociación Nacional de Fabricantes de Vehículos Automotores de Brasil (Anfavea), Luiz Moan, expresó su confianza en un posible acuerdo con Argentina y hasta indicó que podría ser suscrito en julio próximo, una vez que venza el convenio que está en vigor.

Según Moan, un mecanismo de libre comercio podría revitalizar el sector automotor de ambos países, que resultó afectado por la frágil situación económica de los dos socios “mayores” del Mercosur.

Ámbito

Brasil apresentará à Argentina oferta de livre-comércio no setor automotivo

O Brasil apresentará ao novo governo argentino de Mauricio Macri, em reunião em Buenos Aires na quinta-feira, uma proposta de acordo de livre-comércio no setor automotivo. “Caminhamos para o livre-comércio no setor automotivo dentro do Mercosul. As condições estão dadas”, disse ao Estado o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro. Ele aposta na postura liberal do novo governo argentino para costurar a proposta. No ano passado, um acordo liberando o comércio automotivo foi assinado com o Uruguai.

O ministro disse que há espaço para que o comércio automotivo entre o Brasil e a Argentina possa se fortalecer, assim como em toda a região. Um acordo automotivo também foi assinado com a Colômbia em 2015. A estratégia brasileira é aumentar o acesso a mercados, principalmente nesse momento em que a taxa de câmbio no Brasil está mais favorável para os produtos brasileiros.

Para Monteiro, o aumento das exportações é a saída para as empresas enfrentarem a redução da demanda doméstica, que não deve se recuperar tão cedo. Ele avaliou que a balança comercial vai surpreender este ano e apresentar um resultado maior do que a previsão de US$ 35 bilhões de superávit.

Segundo o ministro, o setor automobilístico não tem outra saída a não ser aumentar as exportações. “Temos de combinar a questão de câmbio com ações da política comercial brasileira para melhorar as condições de acesso ao mercado.”

Resistência dos argentinos. A liberalização do comércio de veículos com a Argentina é uma agenda antiga que sempre enfrentou resistência do governo e dos empresários argentinos, que temem uma invasão de carros brasileiros. Monteiro diz, porém, que a Argentina tem vendido muitos veículos para o Brasil e o livre-comércio vai beneficiar os dois lados. “Um acordo de livre-comércio foi assinado no ano passado entre Brasil e Uruguai, um mercado muito menos expressivo e com uma indústria local menos forte do que a Argentina”, lembra.

O acordo automotivo entre Brasil e Argentina já foi prorrogado várias vezes, com cotas, toda vez que se aproximava a data fixada para que o livre-comércio entrasse em vigor. A última renovação ocorreu em 1.º de julho de 2015, com vigência de um ano. O acordo prevê um sistema “flex”, em que para cada dólar que a Argentina exporta ao Brasil em autopeças e veículos, sem incidência de impostos, pode importar 1,5 dólar em produtos brasileiros.

Oferta para a Europa. Na reunião com os argentinos, Monteiro também discutirá outro tema espinhoso: a troca de ofertas entre Mercosul e União Europeia para o início das negociações de livre-comércio. Há anos as negociações se arrastam. Seja por resistência do Brasil e da Argentina em abrir o mercado para produtos industriais europeus, seja por parte da UE, que resiste em derrubar barreiras a produtos agrícolas brasileiros.

Monteiro espera que a troca de ofertas – que indica os produtos e serviços que terão redução das tarifas de importação até chegar a zero – seja feita no primeiro semestre. O Brasil esperava fazer a troca de ofertas no ano passado, mas houve uma demora no fechamento da proposta do Mercosul, sobretudo por dificuldades impostas pela Argentina. Depois foi a vez dos europeus pedirem o adiamento para este ano.

Monteiro diz que uma reunião para fechar o cronograma deve ocorrer em março.

“Não tenho dúvida nenhuma que dá para avançar para viabilizar os ajustes necessários à oferta aos europeus no primeiro semestre”, disse Monteiro, que, depois da Argentina, embarca no domingo para o México para tentar fechar a negociação de acordo que pretende ampliar de cerca de 500 para 2 mil produtos o livre-comércio bilateral.

Na reunião com os argentinos, também será discutida a reativação de uma comissão de monitoramento do comércio bilateral, temas fitossanitários e temas setoriais para acordos de lácteos, pêssegos e carne suína.

Ainda como estratégia para ampliar mercados, o ministro espera avançar nos acordos do Mercosul com Peru e Colômbia, que ficaram congelados nos últimos anos por causa de problemas setoriais. Ao final de 2017, a expectativa é que quase todo o comércio brasileiro com esses dois países esteja livre da tarifa de importação.

Estadao